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BCE mantém sobre a mesa "futuros cortes de juros" se for necessário

O economista-chefe do BCE assegura que a autoridade monetária continua pronta a "fazer mais" e ajustar "todos os instrumentos" para conter os efeitos do coronavírus.

Philip Lane
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Rita Faria afaria@negocios.pt 13 de Março de 2020 às 10:38
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Um dia depois de o BCE ter desapontado com as suas medidas de estímulo à economia, o seu economista-chefe entrou em campo para tentar tranquilizar o mercado, garantindo que o banco central continua pronto "para fazer mais" e ajustar "todos os seus instrumentos".

Numa publicação divulgada no site do banco central, Philip Lane adiantou que o BCE vai facilitar a transmissão da sua política monetária, sugerindo que a instituição pode atuar para travar a subida das yields soberanas na Zona Euro e reduzir ainda mais os juros, se se justificar.

"Não vamos tolerar riscos à transmissão suave da nossa política monetária em todas as jurisdições da Zona Euro", escreveu o economista-chefe. "Estamos claramente prontos a fazer mais e a ajustar todos os nossos instrumentos, se necessário, para garantir que os spreads elevados que vemos em resposta à aceleração da propagação do coronavírus não prejudiquem a transmissão".

As palavras de Lane surgem depois de a presidente da instituição ter assustado o mercado, na quinta-feira, atirando, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião de política monetária, que o BCE não está aqui "para baixar spreads". A afirmação conduziu a uma forte subida dos juros na Zona Euro, especialmente os de Itália, o país europeu mais afetado pelo surto do novo coronavírus.  

"O Conselho do BCE mantém a opção de futuros cortes nos juros, se se justificar por um aperto nas condições financeiras ou uma ameaça ao nosso objetivo de inflação a médio prazo", acrescentou Lane, um dia depois de o banco central ter sido incapaz de acalmar os mercados com os seus anúncios.

O BCE decidiu ontem manter os juros inalterados e anunciar um  novo pacote de estímulos para amparar o impacto económico da covid-19, que passam por financiamento barato para manter a liquidez no sistema financeiro e mais compras de ativos ('quantitative easing').

Em causa está um "envelope temporário" de compras de 120 mil milhões de euros até ao final deste ano que se junta aos 20 mil milhões de euros mensais do atual programa. No comunicado, o Conselho do BCE refere que haverá uma "contribuição forte" do setor privado nas compras, sugerindo que irá optar por comprar mais dívida empresarial.

No mesmo dia, a Fed anunciou uma injeção de mais de 1,5 biliões de dólares no mercado para "aliviar temporariamente as inusitadas disrupções nos mercados obrigacionistas" e foi hoje seguida de perto por vários bancos centrais de todo o mundo.

O Banco do Japão anunciou a compra de 200 mil milhões de ienes (cerca de 1,7 mil milhões de euros) de obrigações numa operação não programada, enquanto o banco central da Austrália aumentou em 8,8 mil milhões de dólares australianos (cerca de 5 mil milhões de euros) as suas operações de recompra.

O Norges Bank, banco central da Noruega, anunciou esta manhã um corte dos juros para 1% e o Banco Popular da China adotou um conjunto de medidas que vai permitir libertar cerca de 550 mil milhões yuans (79 mil milhões de dólares) de liquidez no sistema financeiro do país.

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