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Carney confiante que G7 terá resposta "potente" ao Covid-19

O governador do Banco de Inglaterra está confiante de que haverá uma resposta coordenada, potente e oportuna dos Governos e dos bancos centrais ao coronavírus.

Reuters
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 03 de Março de 2020 às 12:32
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Numa das suas últimas intervenções enquanto governador do Banco de Inglaterra, cargo que abandona a 16 de março, Mark Carney mostrou-se confiante de que haverá coordenação mundial entre os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais das principais economias para combater o impacto económico provocado pela propagação do coronavírus Covid-19. 

Carney disse ter confiança que as medidas tanto no Reino Unido como nas outras economias serão "potentes e oportunas". Perante os deputados britânico, numa audiência no Parlamento, o governador do Banco de Inglaterra antecipava assim o resultado da reunião do G7 que terá começado às 7h em Washington (12h em Lisboa), segundo a Bloomberg. Deverá ser divulgado um comunicado no final da teleconferência de emergência. 

Estas declarações de Mark Carney reforçam a expectativa dos investidores de que tanto os Governos como os bancos centrais preparam-se para uma coordenar uma resposta ao impacto económico do Covid-19, seja ao nível orçamental seja ao nível da política monetária. Também o ministro das Finanças de França, Bruno Le Maire, tinha prometido uma "ação coordenada".

Porém, esta manhã essa esperança dos mercados arrefeceu após a Reuters ter noticiado que o rascunho das conclusões do G7 não continha uma promessa de um estímulo coordenado.

"Entre as jurisdições haverá algumas diferenças na forma exata dessas medidas e no momento [em que serão aplicadas], mas a resposta irá partilhar o objetivo comum que será atingir este 'apoio transitório' ["bridging"] para suportar a economia durante este período potencialmente desafiador", disse Carney, citado pela Bloomberg.

O próprio Banco de Inglaterra já se comprometeu a adotar todas as medidas necessárias para ajudar a economia britãnica. A mesma garantia foi dada por vários bancos centrais desde que na semana passada os mercados financeiros afundaram. Hoje tanto o Banco da Austrália como o da Malásia decidiram cortar as taxas de juro diretoras. 

O Banco Central Europeu (BCE), que inicialmente tinha sido mais cauteloso, ajustou o discurso ontem num curto comunicado em que a presidente Christine Lagarde diz que o BCE está pronto para tomar as medidas necessárias. Anteriormente, já a Reserva Federal norte-americana e o Banco do Japão tinha feito apelos semelhantes, levando os mercados a ajustar as suas expectativas face à evolução das taxas diretoras, principalmente nos EUA.
Entretanto, a pressão sobre a Fed por parte da Casa Branca juntou-se à do coronavírus. No Twitter, Donald Trump voltou a atacar Jerome Powell: "A nossa Reserva Federal continua a fazer com que paguemos taxas mais altas do que muitos outros, quando devíamos estar a pagar menos". O presidente norte-americano voltou a pedir a Powell um "grande corte na taxa", agora com o argumento do impacto do Covid-19.

A incerteza sobre a dimensão e a duração do impacto ainda é elevada, mas é certo que haverá algum e as instituições que fazem previsões já se ajustaram: tanto o Fundo Monetário Internacional como a OCDE já baixaram as estimativas do crescimento económico de 2020.
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