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Fed mais otimista com crescimento da economia nos EUA. Juros em mínimos até 2023

A Reserva Federal dos Estados Unidos está mais otimista com o futuro da economia do país, revendo em alta a perspetiva de crescimento económico para este ano. Em termos de política monetária, manteve a bazuca a funcionar e juros em mínimos.

Jerome Powell, presidente da Fed, divulga esta quarta-feira as conclusões da        reunião de política monetária.
Shawn Thew/Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 17 de Março de 2021 às 18:07
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A Reserva Federal dos Estados Unidos está agora mais otimista com o crescimento da maior economia do mundo para este ano, revendo em alta a sua projeção para o PIB (produto interno bruto) de 4,2% na reunião de dezembro para os 6,5%, de acordo com o comunicado divulgado nesta quarta-feira, após a reunião de dois dias de política monetária de março.

O banco central voltou a comprometer-se com a sua meta de manter as taxas de juro em mínimos históricos até, pelo menos, 2023, e a sua bazuca de 120 mil milhões de dólares mensais a disparar, numa altura em que os juros do Tesouro norte-americanos a dez anos estão a negociar em máximos de mais de um ano acima dos 1,6%.

Na conferência de imprensa que sucedeu à divulgação das decisões, Jerome Powell, o líder do banco central, disse que "a meta para as taxas de juro [de 0%] irá garantir que a política monetária permaneça muito acomodatícia, apoiando o avanço da recuperação económica", acrescentando que os instrumentos usados pela Fed estão a dar "um poderoso" apoio à economia "e vão continuar a fazê-lo".

Quatro dos 18 membros do comité esperam agora um aumento de taxas já em 2021, quando em dezembro nenhum deles esperava uma subida tão cedo. Para 2023, a ideia de uma subida das taxas diretoras é maior, com sete membros a anteverem uma subida neste ano, mais dois face à reunião de dezembro.

"Após uma moderação no ritmo de recuperação [económica], os indicadores de atividade económica e de emprego subiram recentemente, embora os setores mais afetados pela pandemia continuem fracos. A inflação continua abaixo de 2%. As condições financeiras gerais permanecem acomodatícias, em parte refletindo as medidas de política para apoiar a economia e o fluxo de crédito para famílias e empresas dos EUA", pode ler-se no documento.

Acrescenta que "a trajetória da economia dependerá significativamente do curso do vírus, incluindo o progresso das vacinações. A atual crise de saúde pública continua a pesar sobre a atividade económica, o emprego e a inflação, e apresenta riscos consideráveis para as perspetivas económicas".

O banco central espera agora que a inflação suba este ano, mas num movimento que será de curta duração, uma vez que as projeções apontam para um abrandamento deste indicador para os 2% a partir do próximo ano, depois de tocar nos 2,4% em 2021. Excluindo os segmentos de alimentação e energia, a previsão da inflação é de 2,2% para este ano e 2% em 2022.

A Fed está também mais otimista no campo do emprego, apontando agora para que a taxa de desemprego em 2021 seja de 4,5%, face aos 5% que tinha previsto na reunião de dezembro, altura em que foram feitas as últimas projeções macroeconómicas. 

Após as decisões serem divulgadas, os juros do Tesouro a dez anos caíram de máximos de mais de um ano, após os mercados perceberem que a Fed prevê uma forte subida da economia para este ano, sem ter de abrandar o seu programa de estímulos para já.

Compra de ativos mantém-se
Para além de manter os juros em mínimos históricos no patamar de 0%-0,25%, a Reserva Federal anunciou também que iria manter inalterado o seu programa de compra de ativos que comporta o gasto de 120 mil milhões de dólares mensalmente, sendo que 80 milhões deste envelope são para comprar ativos do Tesouro e 40 mil milhões de dólares para títulos garantidos por hipotecas.

O volume e a velocidade deste programa irá manter-se "até que progressos substanciais tenham sido feitos em direção às metas de emprego máximo e estabilidade de preços do comité. Essas compras de ativos ajudam a promover o funcionamento regular do mercado e condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas", continua.

Por agora, o estado da economia norte-americana continua longe dos seus objetivos, pelo que será de prever uma manutenção dos programas de estímulos monetários até que se comece a ver "a luz ao fundo do túnel", algo que Jerome Powell, líder da Fed, já tinha avisado que iria demorar muito tempo, aquando da sua presença no Congresso dos Estados Unidos, recentemente.

Ainda assim, o pacote de estímulos orçamentais aprovado pelo Senado, pela Câmara dos Representantes e assinado por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, a 11 de março, estará a impulsionar as visões mais otimistas sobre a economia do país. O "American Rescue Plan" contempla um envelope total de 1,9 biliões de dólares.

Mas por um lado, se a melhoria nas perspetivas da economia estão a ser vistas com bons olhos pela Fed, por outro, esta ideia mais positiva conduz a uma subida da inflação, um motivo que tem deixado os mercados ansiosos, espelhando este sentimento na subida dos juros do Tesouro.

O encontro de março marcou a primeira vez em que Christopher Waller, membro do banco central nomeado pelo antigo presidente Donald Trump, contribuiu para a tomada de decisão e para as projeções macroeconómicas.
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