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Fed mantém juros em mínimos e bazuca a disparar apesar de otimismo na recuperação económica

O banco central norte-americano optou por manter todo o seu poder de fogo inalterado, apesar de a economia estar a dar sinais animadores.

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Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 28 de Abril de 2021 às 19:05
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A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) cumpriu as expectativas e manteve todo o seu poder de fogo inalterado. O banco central norte-americano vai continuar a comprar o equivalente a 120 mil milhões de dólares em ativos por mês, deixando os juros diretores em mínimos históricos.

Na reunião de política monetária do mês de abril, Jerome Powell, líder da instituição, manteve a bazuca acomodatícia do banco a funcionar, apesar de se levantarem suspeitas de que, tendo em conta a melhoria dos indicadores económicos, poderia abrandar o seu apoio.

"Num contexto de progresso nas vacinações e do forte apoio político, os indicadores de atividade económica e emprego fortaleceram-se", pode ler-se no relatório do FOMC, o comité governamental do mercado do banco central, após a conclusão da sua reunião de dois dias. Acrescenta ainda que "os setores mais afetados pela pandemia continuam fragilizados, mas mostraram alguma melhoria. A inflação aumentou, refletindo em grande parte fatores transitórios".

No comunicado, o banco central diz que os riscos que podem afetar as previsões económicas "permanecem", aligeirando o tom da linguagem face ao último encontro quando o banco afirmava que existiam "riscos consideráveis. Na última reunião, Powell tinha dito que os juros iriam continuar em mínimos até 2023.

O plano de vacinação contra a covid-19 e as sucessivas ajudas orçamentais desenhadas pela administração de Joe Biden, líder da Casa Branca, impulsionaram um tom mais otimista por parte dos decisores de política monetária do banco central.

Biden tem agora um plano de 1,8 biliões de dólares para dedicar à educação que será apresentado e discutido, ainda hoje, no Congresso norte-americano, depois do cheque de 2,25 biliões que poderá ser lançado para as infrastruturas - que se juntam ao plano já aprovado de 1,9 biliões no mês passado.

Na última reunião, o banco central reviu em alta as perspetivas de crescimento da economia norte-americana, subindo a projeção para o PIB (produto interno bruto) de 4,2% para os 6,5%.

A inflação transitória 
No comunicado de hoje, a Reserva Federal dos Estados Unidos justifica a subida recente da inflação, "globalmente", com vários "fatores transitórios". A inflação anual registou uma subida para os 2,6% em março deste ano, face aos 1,7% anotados em fevereiro, nesta que foi a maior leitura dos preços do consumidor desde agosto de 2018. A maior pressão surgiu dos preços da energia (13,7% em março contra 3,7% em fevereiro).

"O comité procura atingir o máximo de emprego possível e uma taxa de inflação a rondar os 2% no longo prazo. Com a inflação persistentemente abaixo dessa meta de longo prazo, o Comité terá como objetivo atingir a inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo, de modo que a inflação média seja de 2% ao longo do tempo e as expectativas de inflação de longo prazo permaneçam bem ancoradas nos 2%", pode ler-se no comunicado de hoje. Até atingir esse patamar no longo prazo, o "comité espera manter uma postura acomodatícia da política monetária".

Os analistas do Capital Economics dizem que "o uso da expressão 'globalmente' sugere que nem todos os decisores de política da Fed estão convencidos de que esse foco de inflação mais alta seja transitório".
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