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Luis de Guindos admite que recessão obrigue a banca a reforçar provisões

Luis de Guindos alertou para o facto da subida das taxas de juro diretoras ter uma "certa componente de ilusão" no que toca ao aumento da rentabilidade da banca e admitiu a possibilidade de as instituições financeiras terem de aumentar as provisões face à queda da solvência de famílias e empresas.

Mário Cruz / Lusa
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 23 de Novembro de 2022 às 11:35
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Numa altura em que vários Estados se preparam ou efetivamente já tributam os lucros extraordinários da banca, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos (na foto), alertou que este efeito é temporário e admitiu a possibilidade de as instituições financeiras terem de guardar provisões para fazer frente aos tempos que se avizinham.

O número dois de Christine Lagarde sublinhou esta quarta-feira que apesar da subida das taxas de juro diretoras na Zona Euro aumentar a rentabilidade da banca, as entidades  "não se devem deixar cegar" pela subida dos juros, já que este efeito aplica-se a "curto prazo" e "tem uma certa componente de ilusão".

Segundo um estudo da autoridade monetária, citado pelo governador espanhol durante uma conferência no país, a RoE (rentabilidade sobre o capital) dos bancos na Zona Euro situa-se em média em torno dos 8%, um dobro do intervalo entre 3,5% e 4% contabilizado antes da pandemia.

De Guindos admitiu ainda a possibilidade de as entidades terem de realizar mais provisões, já que a situação económica irá afetar a solvência dos clientes. "Se olharmos para a rentabilidade das empresas, especialmente das PME [pequenas e médias empresas] vemos uma deterioração importante", reconheceu de Guindos que lembrou ainda que "uma deterioração do tecido empresarial terá consequências para o setor financeiro".

No que toca às famílias, o vice-presidente do BCE salientou que estas "estão mais vulneráveis" do que há um ano, "Se por um lado as famílias acumularam poupanças durante a poandemia, agora vemos que estas se vão reduzindo de forma cada vez mais intensa".

Apesar deste cenário, de Guindos assegurou que o BCE vai continuar a aumentar as taxas de juro, "Continuaremos a subir os juros diretores até chegar a um nível que permita que a inflação alcance o objetivo [em torno dos 2%]". "O nosso mandato é a estabilidade dos preços", rematou o vice-presidente da instituição.
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