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Confinamento para preparar o Natal? Governo só falou aos parceiros sociais de restrições à circulação

O primeiro-ministro terá dito aos partidos que está a preparar um confinamento geral para as duas primeiras semanas de dezembro, com o encerramento do comércio, mas aos parceiros sociais o ministro da Economia disse muito menos. Siza Vieira admitiu, apenas, limitações à circulação entre concelhos, tal como as que vigoram este fim-de-semana, de acordo com António Saraiva (CIP), João Vieira Lopes (CCP) e Ana Pires (CGTP).

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O primeiro-ministro terá avançado aos partidos políticos que está a preparar um confinamento total para as primeiras semanas de dezembro, de forma a tentar diminuir os casos e aliviar restrições no Natal.

A notícia foi dada por vários orgãos de comunicação social e confirmada por André Silva, que de acordo com a agência Lusa afirmou que o primeiro-ministro pondera decretar confinamento geral na primeira quinzena de dezembro, acrescentando, no entanto, que a medida não é certa. A ideia "foi aflorada em termos de fim de gradualismo, ou como uma medida mais restritiva", disse o líder do PAN, citado pela agência de notícias.

Tal confinamento implicaria, segundo o Público ou o Observador, o encerramento do comércio. Mas nada disto foi apresentado aos parceiros sociais pelo ministro da Economia, que esteve esta manhã a falar das novas medidas de combate à pandemia em concertação social, segundo confirmaram ao Negócios António Saraiva, da CIP, João Vieira Lopes, da CCP e Ana Pires, da CGTP.

Nas hipóteses que foram colocadas aos parceiros sociais esta manhã o Governo terá admitido apenas que nos dois fins-de-semana ou nas duas semanas que abrangem os feriados de 1 e de 8 de dezembro sejam aprovadas restrições à circulação entre concelhos como as que vigoram este fim-de-semana.

O Governo "sondou se valeria a pena fazer confinamento entre concelhos como estão a fazer agora para reduzirem os casos e chegar ao Natal" com menos pressão, começou por referiu ao Negócios António Saraiva, presidente da CIP.

Também João Vieira Lopes que representa, entre outros setores, o comércio, disse ao Negócios que o que foi admitido foi "fazer como se fez agora" ou seja, colocar restrições à mobilidade entre concelhos. "Pode-se anunciar que isso está em estudo em função da avaliação da pandemia mas não anunciar já uma decisão fechada", comentou.

O presidente da CCP considera que o que deve ser feito é uma "campanha pró-ativa de informação à população" a alertar para a necessidade de cumprir as regras, agora, para recuperar o Natal.

"O que o Governo fez connosco foi levantar um conjunto de hipóteses: falou-se em restrições como as que estão a acontecer este fim-de-semana, não se falou num confinamento geral", disse também ao Negócios Ana Pires, dirigente da CGTP.



Um longo mês de novembro

Antes do início de dezembro, o país ainda tem de gerir o mês de novembro, que será, provavelmente, o mais grave desde o início da pandemia. Nas últimas 24 horas Portugal registou um número recorde de novos casos - 4.656 - de vítimas mortais (40) e de internamentos.

Na reunião de concertação social desta manhã o Governo quis ouvir os parceiros sobre quatro possíveis medidas a aprovar no Conselho de Ministros de amanhã: o alargamento das restrições a mais municípios com mais contágios por cada cem mil habitantes – Siza Vieira admitiu que o limiar possa ser de 240, apesar de ter acrescentado que a decisão não está fechada – a possibilidade de encerramento de restaurantes e comércio a partir das 22 horas, o eventual reforço do teletrabalho, que voltaria a ser obrigatório sempre que as funções o permitam e a possibilidade de recolher obrigatório em todo o território nacional.

Nas declarações que prestou aos jornalistas no final da reunião de concertação social, Siza Vieira afastou por duas vezes a ideia de um confinamento total. "Não estamos a discutir hipóteses de confinamento geral", garantiu.

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