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PS exige a Rio "cabal esclarecimento" sobre acordo com Chega nos Açores

O secretário-geral adjunto do PS exigiu esta sexta-feira ao presidente social-democrata, Rui Rio, um "cabal esclarecimento" sobre a anunciada solução governativa nos Açores, apoiada pelo Chega, acusando-o de "virar costas ao PSD de Sá Carneiro".

José Luís Carneiro
Lusa 06 de Novembro de 2020 às 16:31
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"Hoje, confirmaram-se as piores suspeitas que prevaleciam na opinião pública portuguesa: a suspeita de que o doutor Rui Rio estava em negociações com o Chega, tendo como moeda de troca a revisão da Constituição. Com esta negociação feita com a extrema direita o doutor Rui Rio pisou a linha vermelha dos princípios e dos valores constitucionais e virou as costas ao PPD/PSD de Francisco Sá Carneiro", declarou José Luís Carneiro, em conferência de imprensa, na sede do PS.

Em causa está o anúncio feito hoje pelo Chega de que "vai viabilizar o governo de direita nos Açores", após ter chegado a um acordo com o PSD em "vários assuntos fundamentais" para aquela região autónoma e para o país.

Quanto à exigência que tinha sido feita pelo partido de extrema-direita de que o PSD participasse no processo de revisão constitucional iniciado pelo Chega, André Ventura disse ter obtido garantias para o futuro.

Perante estas declarações, o secretário-geral adjunto socialista considerou que Rui Rio deve aos portugueses "um esclarecimento cabal" e "não um esclarecimento feito no Twitter".

"Quais foram os princípios e os valores que o doutor Rui Rio deixou cair relativamente à revisão constitucional para alcançar o poder na região autónoma dos Açores?", questionou.

Na opinião do dirigente socialista, o líder da oposição mostrou que "vale tudo para alcançar o poder", acrescentando que esta atitude "feriu a dignidade de um processo de revisão constitucional".

José Luís Carneiro acrescentou ainda que o PS respeita a autonomia do PS/Açores e entende como "legítima uma solução com suporte parlamentar, seja nos Açores, na Madeira ou no continente".

"O que sublinhamos é que não se pode vender a dignidade de um processo de revisão constitucional para se alcançar o poder, seja o poder alcançado numa região autónoma ou no exercício de funções no continente", sustentou.

O representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, começa hoje a ouvir os partidos que elegeram deputados à Assembleia Legislativa açoriana, tendo em vista a indigitação do futuro presidente do Governo Regional.

O PS elegeu 25 deputados e perdeu a maioria absoluta que detinha há 20 anos na região e esta semana PSD, CDS-PP e PPM anunciaram uma "proposta de governação profundamente autonómica", um "governo dos Açores para os Açores" e com "total respeito e compreensão pela pluralidade representativa do povo".

PSD, CDS-PP e PPM somam 26 deputados, juntando-se agora o apoio dos dois do Chega. Fica a faltar um deputado, que poderá ser o da Iniciativa Liberal, que hoje admitiu um acordo parlamentar para viabilizar o governo de direita, mas frisou que ainda não está fechado.

A lei indica que o representante da República no arquipélago nomeará o novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos" representados no novo parlamento açoriano.
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