Outros sites Cofina
Notícias em Destaque

Brasil com duelo de populistas

Os brasileiros votam este domingo numa corrida em que os protagonistas são dois populistas: Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Desta vez, ao contrário do que sucedeu em 2002, os mercados não mostram medo face a um triunfo de Lula. Isto apesar dos desafios económicos que se colocam à maior economia da América do Sul.
Maria Caetano, Patrícia Naves e Bárbara Leite 02 de Outubro de 2022 às 10:00

Uma regra orçamental original, que condiciona gastos públicos à subida de preços, tomou o debate económico das eleições gerais brasileiras, que têm este domingo a primeira volta. Quase tudo separa Lula e Bolsonaro, principais candidatos, menos a vontade de a mudar.

O galope dos preços é hoje a dor de cabeça para grande parte dos governos do globo, mas no Brasil, habituado a níveis de inflação elevados, uma desinflação já em curso é o quebra-cabeças orçamental para o candidato presidencial que ganhar nas eleições gerais, cuja primeira volta acontece este domingo. Vai certamente diminuir receitas, mas reduzir também à força as despesas.

 

É que a disciplina orçamental brasileira assenta desde 2016, ainda na governação de Michel Temer, num limite máximo ao crescimento dos gastos federais primários que se guia pela inflação – considera atualmente as subidas de preços acumuladas até dezembro. E se não há muito que una os programas dos dois candidatos que lideram as sondagens, Lula da Silva e Jair Bolsonaro, há isto: ambos querem emendar o chamado tecto de gastos da política orçamental brasileira.

 

O assunto tem gerado amplas discussões domésticas, entre políticos e economistas, com várias propostas alternativas. Fora do país, a par com a possibilidade de um cenário de resultado eleitoral contestado, tem sido este também o principal foco da atenção de analistas internacionais.  "O tecto de gastos tem os dias contados", refere William Jackson, economista-chefe da Capital Economics para os mercados emergentes, na última análise ao país.

 

É uma discussão que interessa aos mercados, que poderão exigir mais juros ao Brasil se a mudança favorecer o expansionismo orçamental, admite. Mas, em última análise, não criará nenhuma crise, estando a maior parte dos credores da dívida brasileira em casa. "Não antecipamos uma explosão orçamental, vença quem vença as eleições", diz Jackson.

Ver comentários
Saber mais Brasil eleições Lula Bolsonaro economia mercados
Outras Notícias
Mais notícias Negócios Premium
+ Negócios Premium
Capa do Jornal