"Se não tivesse estado nesta disputa estaríamos hoje a lamentar ainda mais a progressão da extrema-direita"
Ana Gomes assume que não atingiu o objetivo de forçar uma segunda volta, mas diz que cumpriu a meta de "impedir que ultra direita ascendesse à posição de possível alternativa".
Ana Gomes assume que não atingiu o objetivo de forçar uma segunda volta, mas diz que cumpriu a meta de "impedir que ultra direita ascendesse à posição de possível alternativa".
"Se não tivesse estado nesta disputa estaríamos hoje a lamentar ainda mais a progressão da extrema direita", afirmou Ana Gomes na reação aos resultados das Presidenciais, em que ficou em segundo lugar, à frente de André Ventura.
No seu discurso Ana Gomes começou por dizer que tinha felicitado Marcelo Rebelo de Sousa, a quem prometeu o "empenho em tudo fazer para que o segundo mandato sirva para reforçar a democracia e não dar argumentos a quem a quer destruir e conseguiram tantos votos tirar a PSD e CDS".
Agradeceu ao mais de meio milhão de portugueses que votaram na sua candidatura. "Não consegui o objetivo da segunda volta" e a "responsabilidade é minha".
Mas "cumpri o objetivo patriótico, de impedir que ultra direita ascendesse a posição de possível alternativa. Se não tivesse estado nesta disputa, estaríamos hoje a lamentar ainda mais a progressão da extrema-direita".
A militante do PS agradeceu aos partidos que a apoiaram (Livre e PAN), bem como aos milhares de socialistas e membros do governo e autarcas que "estiveram ao meu lado".
Apontou depois baterias à liderança do PS. "Houve quem quisesse desvalorizar estas eleições presidenciais" e "lamento profundamente a não comparência a eleições do meu partido, que assim contribuiu para a vitória do candidato da direita democrática".
"Foi uma deserção para a qual alertei e por isso decidi apresentar esta candidatura", que foi "mais uma missão de serviço público que cumpri".
"Nunca me resignarei. O espaço político onde me incluo não podia faltar, por isso avancei", tendo agora o "sentimento do dever cumprido".
Na fase de perguntas, e questionada se responsabilizava o secretário-geral do PS por essa deserção, respondeu: "António Costa, obviamente, foi o principal responsável por essa deserção".
"A minha candidatura fez-se desde a primeira hora do empenhamento de milhares de socialistas, de norte a sul, do litoral ao interior", afirmou, agradecendo em especial aos membros do Governo, deputados e autarcas, que estiveram ao seu lado.
A antiga eurodeputada assegurou que manterá a sua condição de militante de base do PS, e disse esperar que sejam esses militantes que ajudem a direção do partido "a refletir profundamente e a tirar consequências da sua atuação".
"A direção do PS apostou na diluição das fronteiras políticas entre a esquerda e a direita democrática. Tal diluição não serve certamente a democracia", afirmou.
Questionada se António Costa também lhe telefonou - como fez com o Presidente reeleito -, Ana Gomes respondeu negativamente: "Esta noite só falei com o professor Marcelo Rebelo de Sousa, não falei com mais nenhum dirigente partidário",
Mas as críticas de Ana Gomes dirigiram-se também aos restantes partidos de esquerda, lembrando que há pouco mais de um ano tiveram "dois terços dos votos" nas legislativas.
"Nestas presidenciais, preocuparam-se com a suas próprias agendas em vez de convergir e assim concorreram para dar vitória do candidato da direita democrática", apontou.
Foi aos partidos tradicionais que Ana Gomes apontou também a responsabilidade de não responderem aos anseios dos "muitos cidadãos desapontados", que considera estar na origem dos resultados de candidaturas como a de André Ventura - que nunca nomeou.