Seguro, Marques Mendes e Cotrim ao ataque na saúde
Com os problemas no socorro a doentes urgentes a avolumarem-se, António José Seguro, Luís Marques Mendes e João Cotrim Figueiredo não deixaram escapar a oportunidade de lançar farpas sobre o tema. Com óticas diferentes: Seguro quer mais dinheiro para o setor, Luís Marques Mendes rejeita que o Chefe de Estado tenha de avaliar ministros e Cotrim entende que Marcelo devia fazer mais pressão sobre Luís Montenegro.
Seguro pede "coragem política" para dar prioridade à saúde, inclusive em detrimento de outras áreas, porque "não pode faltar dinheiro" neste setor, estando "desejoso de ter a primeira reunião com o primeiro-ministro".
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"Pode faltar dinheiro para muita coisa no nosso país. Não pode faltar dinheiro para cuidar da saúde dos portugueses. Essa é uma prioridade e a coragem política de que eu falo é dizer se esta é a prioridade, porventura, outras áreas, não são prioridade. O país não pode ter 100 prioridades", defendeu Seguro, em declarações aos jornalistas durante uma visita ao Mercado Municipal de Braga.
Para Seguro, "é inaceitável" que em Portugal, em 2026, "morram pessoas por falta de socorro, que telefonam para as emergências e que as ambulâncias não chegam a tempo e horas".
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Já Luís Marques Mendes compreende as críticas "perfeitamente legítimas" sobre saúde, mas defendeu que o problema só se resolve com mudanças estruturais, considerando que um chefe de Estado não tem de avaliar ministros.
No final de um contacto com a população em Viana do Castelo, Marques Mendes foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas que tem ouvido na rua a Ana Paula Martins, pouco depois de ter ouvido uma senhora dizer que a ministra da Saúde "não presta e tem de ir para a rua".
"Eu compreendo as críticas das pessoas, as pessoas dirigiram-se a mim com preocupações mais do que legítimas (...) Enquanto não forem introduzidas algumas mudanças estruturais na organização e na gestão do Serviço Nacional de Saúde, eu acho que, infelizmente, vários destes problemas vão manter-se", disse.
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Questionado se não é mais duro com a ministra Ana Paula Martins porque a ministra é de um governo do PSD, o candidato apoiado por este partido e pelo CDS-PP respondeu negativamente.
"Não, por uma razão muito simples. Defini há muitos meses que um Presidente da República não tem que avaliar um ministro nem pedir a demissão de um ministro. Isso não é tarefa do Presidente da República", afirmou.
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Cotrim Figueiredo, por sua vez, considerou que em matéria de saúde, Marcelo Rebelo de Sousa não está a fazer pressão suficiente sobre o Governo.
"Com toda a honestidade penso que não, mas também não quero ser injusto porque desconheço, já disse isso várias vezes, a natureza e até o tom dos contactos do senhor Presidente da República com o senhor primeiro-ministro", afirmou o também eurodeputado, depois de questionado pelos jornalistas sobre se a pressão de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o Governo PSD/CDS-PP era a suficiente em matéria de saúde.
No final de uma visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, referiu que o país ficou a saber na sexta-feira à noite que o Presidente da República fala frequentemente sobre o tema com o primeiro-ministro.
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O Presidente da República afirmou que já falou com o primeiro-ministro na quinta-feira sobre as mortes ocorridas sem que tenha chegado socorro e considerou que Luís Montenegro está "consciente da importância do problema".
"Pelos vistos, nós desconhecíamos que estes contactos são, aparentemente, diários ou quase diários com o seu primeiro-ministro sobre os temas da saúde", insistiu.
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Cotrim Figueiredo reconheceu que, institucionalmente, o Presidente da República deve falar destes temas com o primeiro-ministro.
"E só perante um caso de extrema gravidade ou impossibilidade de resolver de outra forma é que essas pressões devem ser tidas fora do âmbito restrito dos contactos privados do Presidente da República com o primeiro-ministro", apontou o antigo líder da IL, acompanhado da ex-deputada do PSD Liliana Reis.
Nos últimos dias também os restantes candidatos se têm referido ao tema, criticando a ação do Governo.
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As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde.
Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 8 de fevereiro entre os dois mais votados.
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