Presidenciais de 2016 ameaçam recorde de candidatos em 2006
As próximas eleições presidenciais podem ultrapassar, em número de candidaturas, o ano de 2006, aquele que registou o maior número de candidatos (13), embora depois só tenham constado seis no boletim de voto.
Dez anos depois, são já mais de duas dezenas os nomes falados como 'presidenciáveis' para as eleições de 24 de Janeiro do próximo ano. No entanto, só um mês antes, quando terminar o prazo para a formalização de candidaturas no Tribunal Constitucional (TC), acompanhado de pelo menos 7.500 assinaturas válidas, se saberão quantos serão os candidatos a sufrágios.
Em 2006, houve 13 nomes candidatos que entregaram assinaturas mas no processo de verificação, o TC só admitiu seis: Garcia Pereira, Cavaco Silva, Francisco Louçã, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa e Mário Soares.
Depois de 2006, as eleições com mais candidatos foram as presidenciais de 2001 e 2011, nas quais se apresentaram nove candidatos, porém, após uma verificação de candidaturas, o TC admitiu apenas cinco nomes nos boletins de voto em 2001 e seis em 2011, segundo os dados da Comissão Nacional de Eleições.
No sufrágio de 2001, os candidatos foram Garcia Pereira, Joaquim Ferreira do Amaral, Fernando Rosas, António Abreu e Jorge Sampaio.
Os seis candidatos às últimas presidenciais, em 2011, foram Cavaco Silva, Defensor de Moura, Francisco Almeida Lopes, José Manuel Coelho, Manuel Alegre e Fernando Nobre.
Após estes dois sufrágios, seguiram-se em número de candidatos, as presidenciais de 1986, às quais concorreram oito políticos, mas apenas quatro (Salgado Zenha, Maria de Lurdes Pintasilgo, Freitas do Amaral e Mário Soares) foram a votos.
As eleições que tiveram menos candidatos foram as de 1991 e as de 1996, ambas com quatro.
Em 1996, só dois (Cavaco Silva e Jorge Sampaio) viriam a constar nos boletins de voto. Em 1991, os quatro candidatos inscritos inicialmente foram aceites pelo TC figurando por isso nos boletins de voto: Basílio Horta, Mário Soares, Carlos Carvalhas e Carlos Marques da Silva.
As eleições de 1991 foram as únicas desde o 25 de Abril de 1974 em que o número de candidatos inicial foi o mesmo que o dos boletins de voto.
CANDIDATOS APRESENTADOS
Henrique Neto
Foi o primeiro a anunciar a candidatura. Ex-deputado do PS e empresário, Henrique Neto, 78 anos, apresentou-se numa cerimónia no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, a 25 de Março. Pertencente a uma família ligada à indústria vidreira da Marinha Grande, é co-fundador da empresa Iberomoldes.
Crítico dos governos socialistas de José Sócrates, no passado mês de janeiro Henrique Neto subscreveu o manifesto "Por uma democracia de qualidade", entregue ao Presidente da República, Cavaco Silva, e que pedia uma reforma do sistema eleitoral.
Orlando Cruz
É ex-militante do CDS, tem 62 anos, e apresenta-se como escritor. Nas autárquicas de 2013 concorreu, pelo Partido Trabalhista Português, à Câmara de Matosinhos, tendo obtido 0,68%, mas antes já se tinha candidatado também à autarquia do Porto.
Apresentou a sua candidatura à Presidência da República no dia 14 de abril, no Porto, a sua terceira, tendo garantido que desta vez vai levar a candidatura até ao fim.
Paulo Morais
Antigo vice-presidente da câmara do Porto com os pelouros do Urbanismo, Ação Social e Habitação, durante o mandato de Rui Rio (PSD), de 2002 a 2005, Paulo Morais, 51 anos, notabilizou-se pelas posições anticorrupção. Pertence à associação cívica Transparência e Integridade e é professor universitário. Apresenta publicamente a sua candidatura a 18 de abril, no icónico café Piolho, no Porto.
Na apresentação da sua candidatura afirmou que as eleições se transformaram em "concursos para a escolha do maior mentiroso" e garantiu que se for eleito demitirá o Governo que não cumpra asa promessas eleitorais, tendo apontado como prioridades o combate à corrupção e a transparência das contas públicas.
Cândido Ferreira
Cândido Ferreira aproveitou o dia 25 de Abril para avançar a intenção de se candidatar à Presidência da República numa localidade do concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, onde nasceu.
Perante cerca de 200 pessoas, o médico nefrologista defendeu a necessidade de acabar "com tanta exploração e tanta austeridade", e teceu críticas ao actual Presidente da República Cavaco Silva.
O antigo presidente da Federação de Leiria do PS disse que vai protagonizar uma "candidatura independente, do povo, com o povo e para o povo, para romper com a política tradicional e sem outras obediências que não sejam o respeito pela lei, pelos princípios e pelos valores" consagrados na Constituição.
António Sampaio da Nóvoa
O ex-reitor da Universidade de Lisboa, de 60 anos, apresentou a sua candidatura a 29 de abril, no Teatro da Trindade, na capital.
Nascido em Valença, no Minho, conta com o apoio dos três antigos Presidentes da República Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, que estiveram presentes nas cerimónias de apresentação da candidatura em Lisboa ou do Porto.
A nível partidário, António Sampaio da Nóvoa conta, por enquanto, apenas com o apoio formal do partido Livre/Tempo de Avançar.
Castanheira Barros
Jorge Castanheira Barros é advogado e candidatou-se em 2010 à presidência do PSD. Apresentou a sua intenção de concorrer a Belém a 21 de maio, no auditório da reitoria da Universidade de Coimbra, onde se licenciou.
Castanheira Barros é natural do Porto, tem 63 anos, e já assumiu que se revê, "em alguns aspectos", no Bloco de Esquerda.
Paulo Freitas do Amaral
Eleito em 2009 presidente da junta de freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo, em Oeiras, e actualmente consultor autárquico, Paulo Freitas do Amaral é o candidato anunciado mais jovem - tem 36 anos.
Primo de Diogo Freitas do Amaral (ex-líder do CDS, ex-vice-primeiro-ministro e ex-candidato a Belém), apresentou publicamente a sua candidatura a 30 de maio em Guimarães, invocando Vasco da Gama e D. Afonso Henriques para vincar que a capacidade de liderar e de vencer não se mede pela idade.
Graça Castanho
A docente universitária Graça Castanho anunciou a 30 de maio, em Ponta Delgada (ilha de S. Miguel, Açores), a sua pretensão de concorrer a Belém.
A potencial candidata açoriana considera ser "urgente promover um exercício de unidade nacional, unindo as parcelas do território", porque "os Açores desconhecem a Madeira, a Madeira desconhece os Açores, os dois arquipélagos desconhecem o continente, que também desconhece os seus arquipélagos".
A concretizar-se esta candidatura, será a primeira vez no pós-25 de Abril que as eleições presidenciais podem vir a contar com um candidato oriundo dos Açores.
Paulo Borges
O fundador e antigo presidente do PAN (partido Pessoas-Animais-Natureza) anunciou no dia 20 de Julho a intenção de se candidatar à Presidência da República, através de um comunicado, sob o desígnio de um movimento alternativo e apartidário mas que não rejeitará apoios.
Com uma candidatura sob o desígnio "Outro Portugal existe", Paulo Borges pretende "um Portugal alternativo, de pessoas que não ficam à espera que a política e a economia resolva tudo mas se organizam para fazer acontecer aquilo em que acreditam", um Portugal "marginal ao Portugal institucional".
Paulo Borges remeteu um "lançamento formal" da candidatura para Setembro ou Outubro, ressalvando não estar dependente das eleições legislativas.
Jorge Sequeira
O psicólogo Jorge Sequeira apresentou a 23 de julho, em Vila Nova de Gaia, a sua candidatura à presidência da República, apontando como meta "devolver a confiança aos cidadãos", sublinhando que não está "preso" a nenhum partido.
Psicólogo, investigador, docente universitário e comentador político, como enumerou aos jornalistas, o candidato tem como lema "Portugal Somos Nós".
Manuela Gonzaga
A historiadora Manuela Gonzaga apresentou a 10 de agosto a intenção de entrar na corrida a Belém.
O lema da sua candidatura é "liberdade incondicional" para todos, e conta com o apoio do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).
A candidatura foi apresentada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde a também escritora e ex-jornalista é investigadora, especificamente no Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar.
Maria de Belém Roseira
Maria de Belém Roseira, 66 anos, foi ministra da Saúde e ministra para a Igualdade durante os Governos chefiados por António Guterres, tendo sido eleita presidente do Partido Socialista em 2011, cargo que exerceu até 2014.
Anunciou a 17 de agosto a intenção de candidatar a Presidente da República e apresentou a candidatura publicamente a 13 de Outubro, no Centro Cultural de Belém.
O histórico socialista e antigo candidato presidencial Manuel Alegre já declarou o seu apoio a Maria de Belém, sublinhando que, "ao contrário do que alguns disseram, [esta candidatura] não divide, não fractura nem é redutora" e "tem condições para unir, alargar e mobilizar aqueles que, dentro e fora do PS, na sociedade civil e em diversificados setores da vida pública, desejam a mudança, um presidente que respeite a Constituição e seja, de facto, o presidente de todos os portugueses".
Edgar Silva
Edgar Silva, de 53 anos, foi padre católico, é membro do Comité Central do Partido Comunista Português e é deputado na Assembleia Legislativa Regional da Madeira desde 1996.
A 08 de Outubro, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou que Edgar Silva será o candidato presidencial apoiado pelo partido, tendo acrescentado que "é para ir a votos" e se existir uma segunda volta haverá uma nova análise.
A apresentação pública da candidatura de Edgar Silva decorreu hoje, 15 de outubro, num hotel de Lisboa, tendo o candidato afirmado que o Presidente da República, embora não sendo "Governo, deve actuar no quadro das funções que "o texto fundamental lhe confere, usando os seus poderes para determinar a mudança".
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa, 66 anos, apresentou a sua candidatura a 09 de Outubro, tendo-o feito na sua terra natal, Celorico de Basto (distrito de Braga), na biblioteca à qual dá nome.
A sua candidatura à Presidência da República foi justificada por considerar ter de pagar ao país o que dele recebeu e por ter o desprendimento exigido de quem não precisa de "lugares, promoções e popularidades".
Marcelo Rebelo de Sousa foi fundador do então PPD, em 1974, líder do PSD durante três anos, de 1996 e 1999, no pós-cavaquismo. Foi deputado à Assembleia Constituinte e também ministro da Presidência no final da década de 70. O professor de Direito é hoje membro do Conselho de Estado.
José Pedro Simões
José Pedro Simões tem 48 anos e é natural da Guiné-Bissau. A 23 de outubro apresentou a sua candidatura à Presidência da República na Covilhã, distrito de Castelo Branco, com o intuito de ser a "voz do Interior" neste ato eleitoral, mostrando que o "cidadão comum" também pode candidatar-se.
O anunciado candidato é funcionário bancário e não tem filiação partidária.
Na apresentação da sua candidatura, que decorreu num espaço cedido por uma associação local e contou com algumas dezenas de pessoas, José Pedro Simões explicou que a candidatura "nasce de uma ideia formada em família e cimentada após conversas com amigos".
À data, o candidato afirmou já ter recolhido cerca de 1300 assinaturas das 7500 necessárias para entrar oficialmente na corrida a Belém.
Manuel João Vieira
O músico e artista plástico Manuel João Vieira apresentou a sua candidatura à Presidência da República no dia 07 de Novembro, em Lisboa, a bordo de uma caravela.
Navegando no rio Tejo, o Manuel João Vieira anunciou pela quarta vez a intenção de entrar na corrida a Belém, depois de não ter concretizado a vontade de ir a votos nas três oportunidades anteriores.
Aos 53 anos, o músico diz que se for eleito cada português terá um Ferrari e que mandará alcatifar todo o país, e defende que os corruptos deviam de ir para aldeias abandonadas no interior, evocando igualdade para todos, incluído os criminosos, porque os maiores nunca são presos.
Vitorino Silva
Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans, apresentou a sua candidatura no Porto a 23 de Outubro, afirmando a intenção de dar protagonismo "à plebe".
A sua intenção de candidatura foi apresentada nas Escadas das Verdades, perto da Sé, onde o candidato afirmou já ter recolhido cerca de 6.500 assinaturas, encontrando-se a mil subscrições de atingir os requisitos necessários para ir a votos.
Calceteiro de profissão, Vitorino Silva encara Marcelo Rebelo de Sousa como o seu principal adversário num confronto entre "a academia e as botas de biqueira de aço, a rua e o ar condicionado", vincando que "a partir deste momento, as empresas de sondagens podem pôr o nome Vitorino Silva".
Marisa Matias
Marisa Matias apresentou formalmente a sua candidatura no dia 07 de Novembro, no Teatro Thalia, em Lisboa, afirmando ter o intuito de "abrir as janelas" do Palácio de Belém para deixar sair o cheiro "a bafio".
A candidata, de 39 anos, conta com o apoio do Bloco de Esquerda, partido pelo qual é eurodeputada.
Na apresentação da sua candidatura a Belém, Marisa Matias deixou várias críticas aos concorrentes Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém, afirmando candidatar-se "partindo de uma premissa radical" pois "é possível chegar à Presidência sem a protecção do Espírito Santo".
Sérgio Gave Fraga
Sérgio Gave Fraga anunciou-se como "pré-candidato às eleições presidenciais de 2016" numa página da internet que criou para o efeito.
O advogado internacional, natural de Arcos de Valdevez, tem 48 anos, e apresenta-se como "um humilde cidadão que anseia por um Portugal melhor, um Portugal mais justo e solidário".
Dividindo-se entre Portugal e França, onde está emigrado, diz que a decisão de se candidatar à Presidência da República foi sua, e só sua, "uma decisão de dever patriota e de socorrer Portugal".
António Pedro Ribeiro
António Pedro Ribeiro tem 47 anos, é natural do Porto, e apresenta-se como poeta, escritor e cronista.
A intenção de se candidatar a Presidência da República é justificada, numa nota enviada à comunicação social, com o facto de, na sua opinião, reinarem "o caos e a barbárie", ao invés da "aparente paz e harmonia".
Na nota, o anunciado candidato deixa ainda um apelo à revolta contra a repressão provocada pelos "humores dos mercados" e a "corja financeira".
Fernando Vale
O advogado Fernando Vale também manifestou vontade de se candidatar à Presidência da República.
Com 69 anos e natural de Ermesinde, Fernando Vale esteve na Guerra Colonial e defende a Constituição de 1933.
"É a que faz uma boa interpretação da índole portuguesa", disse à revista Sábado.
António Araújo da Silva
O ex-militar António Araújo da Silva, 63 anos, apresentou a 13 de Novembro no Porto a sua candidatura à Presidência da República, dizendo querer seguir a ideologia do general Humberto Delgado.
Perante uma dezena de apoiantes, disse já ter ultrapassado as 7.500 assinaturas necessárias para formalizar a sua candidatura junto do Tribunal Constitucional prometeu que se vencer as eleições irá não só "cumprir e fazer cumprir a Constituição", mas também actuar junto de qualquer governo que não cumpra com o que prometeu ao eleitorado.