Portuguesa Biovance colidera investimento de 17 milhões da neerlandesa Laigo Bio
O principal investidor na área da Biotecnologia em Portugal investiu quatro milhões de euros na biotecnológica sediada em Utrecht, que desenvolve tratamentos inovadores para oncologia e doenças autoimunes.
No verão de 2023 era apresentado o Biovance Capital Fund I, um dos primeiros fundos de capital de risco em Portugal especializados na área da saúde, que viria a ser fechado com um total de 60 milhões de euros prevenientes do Fundo Europeu de Investimento, Banco Português de Fomento e da Comissão Europeia, assim como de investidores privados, como a Bial.
Criado para o “desenvolvimento de novos medicamentos em Portugal e na Europa”, o Biovance Capital Fund I participou, no final do último verão, na ronda de investimento Série A de alguns milhões de euros na portuguesa Mondego Bio, que está a desenvolver tratamentos para o cancro.
Agora, naquele que representou o seu primeiro investimento internacional, o fundo da Biovance investiu quatro milhões de euros na neerlandesa Laigo Bio, que está a desenvolver tratamentos inovadores para oncologia e doenças autoimunes.
A operação ocorreu no âmbito do alargamento da ronda seed inicial de 11,5 milhões de euros da Laigo Bio, anunciada em dezembro, para 17 milhões neste segundo fecho, com novos investimentos da Biovance Capital e da Kurma Partners.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 23 de março, durante o BIO-Europe Spring, que decorre em Lisboa até quarta-feira, com a Biovance e a Kurma Partners a juntarem-se aos investidores europeus Angelini Ventures, Curie Capital, Argobio Studio, Eurazeo, Oncode Bridge Fund, ROM Utrecht Region e Cancer Research Horizons.
“A Laigo é uma empresa de biotecnologia que está a desenvolver terapias inovadoras altamente diferenciadas através da sua plataforma proprietária de degradação seletiva de proteínas de membrana Surface Removal Targeting Chimeras (SureTAC™)”, realça a Biovance Capital, em comunicado.
Os fundos desta ronda serão utilizados para “acelerar o desenvolvimento pré-clínico dos seus programas oncológicos SureTAC rumo à fase clínica, bem como para avançar três programas pré-clínicos para doenças imunológicas e de rejeição de enxertos”, adianta a Biovance, acrescentando que, com este novo investimento, a Laigo irá ainda expandir a sua atividade para Portugal e recrutar talento nacional.
A plataforma proprietária SureTAC, da Laigo, “gera anticorpos biespecíficos que combinam uma E3 ligase com uma proteína-alvo causadora de doença, promovendo a sua degradação com elevada especificidade”, explica a Biovance.
A plataforma, assim, “permite desenvolver terapias inovadoras de dupla ação, que eliminam proteínas de membrana envolvidas na progressão de várias doenças oncológicas e imunológicas”, afiança aquele que se apresenta como “o principal investidor na área da biotecnologia em Porto.
“Estamos muito satisfeitos por anunciar o primeiro investimento internacional do nosso fundo Biovance Capital Fund I em plena BIO-Europe Spring, em Lisboa, alargando assim o nosso portefólio. Estamos empenhados em apoiar o crescimento da Laigo para que os seus programas pré-clínicos avancem rapidamente para a fase clínica”, afirma Ricardo Perdigão Henriques, “managing partner” da Biovance Capital.
Segundo João Incio, “general partner” da Biovance Capital, a Laigo “demonstrou que a sua tecnologia de degradação SureTAC apresenta uma eficácia pré-clínica notável, com um elevado grau de seletividade e melhorias ao nível da toxicidade e segurança”, pelo que o fundo português vê “um potencial extraordinário na tecnologia da Laigo”, daí apoiar “o seu foco em explorar um universo cada vez maior de novos alvos, incluindo muitos que, atualmente, são considerados intratáveis”.
“O investimento adicional e o apoio da Biovance Capital, juntamente com o reforço da Kurma Partners, irão acelerar o avanço dos nossos programas oncológicos rumo à clínica e ampliar os nossos esforços de descoberta em autoimunidade e imunologia”, promete Matthew Baker, CEO da da Laigo.