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Daniel Rocha fez-se Monforte numa quinta do século XVII

Nascido em Chaves, cedo regressou à terra de origem da família, onde acabou por comprar o monte forte de granito que via a partir do seu quarto, às portas de Penafiel. Instalada a família na casa senhorial, aqui produz vinhos verdes e vai construir uma unidade de turismo com 30 quartos.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 24 de Janeiro de 2022 às 17:13
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Integrada numa encosta com vista para a atual cidade de Penafiel, a quinta data de 1683, ano de construção da capela que o bispo D. António de S. Dionísio ali mandou edificar, e dela faz também parte casa senhorial, cruzeiro e vinhas.

 

Uma propriedade que alia património agrícola e religioso, com uma forte e secular tradição na produção de vinhos, que ao longo dos séculos foi mudando de propriedade.

 

A então Quinta da Naia pertenceu a algumas famílias ilustres de Portugal, tendo neste século feito parte do vasto património da Fundação Maria Rosa, com sede em Peso da Régua.

 

Nascido em Paradela de Monfonte, Chaves, por razões profissionais de seu pai, Daniel Rocha cedo regressou à terra de origem da família, tendo crescido numa casa com quarto com vista para esta quinta secular.

 

"O afeto por aquele monte forte de granito às portas de Penafiel e a memória do lugar onde nasceu estão na origem do nome que escolheu para a quinta e os novos vinhos", conta a Quinta de Monforte, nome da propriedade adquirida pela família Rocha à Fundação Maria Rosa, em 2014.

 

"Instaladas em terraços sustentados por muros de granito, uma particularidade pouco comum nos Vinhos Verdes", as vinhas da quinta beneficiaram de uma intervenção de fundo quando o empresário adquiriu a propriedade, tendo a movimentação de solos realizada permitido "a reorientação solar das parcelas e a melhoria da estrutura do solo".

 

Simultaneamente, foi construído um sistema de drenagem em toda a quinta e preservadas zonas de floresta - a área total da Quinta de Monforte tem de cerca de 100 hectares - que favorecem a manutenção de habitats diversificados, conta a produtora de vinhos, em comunicado.

 

"A vinha em encosta e a exposição a sudoeste favorecem um processo de maturação das uvas mais completo e um grande equilíbrio entre álcool e acidez. Aqui conseguimos naturalmente chegar aos 12-13 graus de teor alcoólico, o que nem sempre acontece nos Vinhos Verdes. Estas maturações permitem-nos acrescentar estrutura e complexidade aos vinhos que produzimos", explica o enólogo do projeto, Francisco Gonçalves.

 

Resultado: os vinhos Quinta de Monforte "saem um bocadinho do registo dos Vinhos Verdes muito frutados e aromáticos".

 

"A nossa aposta está em apresentarmos vinhos muito bem feitos. O que para nós significa conjugar a frescura, mineralidade e a intensidade aromática típica dos Vinhos Verdes com a complexidade de vinhos mais estruturados. Em síntese, queremos os extras todos nos nossos vinhos", remata Daniel Rocha.

 

Entre os primeiros vinhos Quinta de Monforte, todos de 2020, estão um da casta Loureiro, um branco, um rosé e um Vinhão tinto, com preços de venda ao público entre os 6,8 e os 13 euros.

 

Um lançamento que simboliza o arranque de "um projeto mais ambicioso que inclui a expansão da área de vinha (atualmente de 40 hectares), a construção de uma nova adega e de uma unidade de turismo com 30 quartos", revela a Quinta de Monforte.

 

As obras de construção da nova adega, com projeto da autoria do arquiteto Fernando Coelho, "deverão arrancar ainda este ano, estando prevista a sua conclusão em 2023".

 

A atual adega, instalada junto à casa senhorial - onde reside a família Rocha - será mantida como espaço de ensaios para a criação de novos produtos Quinta de Monforte.

 

Entretanto, "numa perspetiva de expansão e de aproveitamento de sinergias", o produtor estabeleceu parceria com a Fundação Maria Rosa, proprietária de vinhas confinantes com a quinta.

 

"A cooperação traduz-se de várias formas, desde a partilha de recursos humanos e conhecimento, e assume em 2022 um novo passo com a entrada de Vasco Cunha Coutinho, administrador da fundação, no projeto Quinta de Monforte, para apoio à gestão agrícola e para a área da exportação", explica a empresa.

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