No público e no privado. Quem não falha, inova pouco

O processo de transformação digital quer-se “transversal”. Na saúde, na educação, na justiça, nas empresas. A imensidão de informação exige novos modelos de relação com quem a origina. O ponto final do passado é hoje apenas o ponto de partida.
Miguel Baltazar/Negócios
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Wilson Ledo 14 de julho de 2016 às 00:01

Maria Manuel Leitão Marques chegou ao hotel Ritz Four Seasons, em Lisboa, com a mala cheia. Com a experiência de quem tem em mãos a tarefa de modernizar e simplificar a administração pública.
"As novas tecnologias permitem-nos aumentar a participação dos cidadãos nas políticas públicas", defendeu a ministra da Presidência. Daí que não seja de estranhar que o Governo apresente na próxima semana o Orçamento Participativo a nível nacional. A medida integrava o programa de Governo do Partido Socialista e prevê verbas para projectos propostos e votados pelos cidadãos.
Depois há o programa Simplex, com centenas de medidas. Leitão Marques tira uns segundos para reflectir e chega logo a uma conclusão: não há uma medida que "não tenha componente electrónica". Participar, personalizar e antecipar são eixos de uma estratégia que não quer ficar por aqui.
"Vamos criar um espaço de experimentação para o sector público, para errar menos. Quem inova e não falha é porque inova pouco", garante a ministra da Presidência. E acrescenta: "era impensável pensar a simplificação sem pensar na tecnologia como instrumento transformador".
A vontade é que a transformação digital seja transversal a toda a sociedade, do público ao privado. "A administração pública está ainda muito organizada em sectores", reconhece a governante.
Fica o apelo para que a sociedade portuguesa se transforme digitalmente, da justiça à educação, passando pela saúde. Foi precisamente este último campo um dos mais referidos como tendo potencial para explorar.
"O digital está a afectar o sector da saúde de uma forma magnífica", reconheceu Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde. Até porque há um Sistema Nacional de Saúde com 11 milhões de portugueses registados e que pode funcionar como plataforma para atingir novos desafios.
Na conferência, subordinada ao tema "(r)Evolução digital", houve também tempo para debater o impacto destas mudanças no mercado de trabalho e na relação com os consumidores.
É preciso investir, recolher dados, armazenar, interpretar, tirar conclusões, mudar a forma de interagir com quem acaba por fornecer estes mesmos dados. No fundo, apostar tempo e dinheiro rumo a experiências mais personalizadas.
Como lembrou João Alves, sócio da consultora EY, hoje o ponto de partida era um ponto final há uma década. "Interessa-nos muito a diversidade de experiências. Já não nos interessa ficar a fazer uma tarefa durante muito tempo", exemplificou.
Uma das promessas da manhã desta quarta-feira, 13 de Julho, veio na voz do presidente do grupo de media Cofina, dono do Negócios e do Correio da Manhã. "Vamos continuar a apostar no digital e na inovação", garantiu Paulo Fernandes. Até porque este é "um tema muito caro para a Cofina, que desde a sua génese adoptou a revolução digital".
A revolução digital já começou a embrenhar-se também em outros tecidos empresariais, mesmo que seja preciso tempo para que a mancha se fixe. A realidade digital está no quotidiano luso. Agora é acertar, com a experiência, como tirar o melhor partido possível.

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