Banca & Finanças Apollo: o fundo americano que comprou seguradoras após intervenções na banca

Apollo: o fundo americano que comprou seguradoras após intervenções na banca

Tentou a Fidelidade. Comprou a Tranquilidade. Tentou a Axa. Acordou a compra da Açoreana. São histórias da vida da Apollo em Portugal, onde o fundo americano tem estado às compras. O Novo Banco foi um dos alvos.
Apollo: o fundo americano que comprou seguradoras após intervenções na banca
Jonathan Alcorn/Bloomberg

Foi um dos três finalistas na corrida (falhada) pelo Novo Banco. Tem estado em vários processos de aquisição de seguradoras. E saiu vencedor de dois processos saídos de duas resoluções bancárias. Primeiro, foi a Tranquilidade, que pertencia ao Banco Espírito Santo. Agora, há pré-acordo para ficar com a Açoreana, companhia ligada ao Banif e aos herdeiros do seu fundador, Horácio Roque. E há pontos em comum nas duas transacções deste grupo americano liderado por Leon Black (na foto). 

 

A compra e a injecção da Tranquilidade

 

Em Portugal, a Apollo Global Management começou por adquirir a Tranquilidade ao Novo Banco, no arranque de 2015. Passava mais de um ano desde que o Grupo Espírito Santo tinha lançado o processo de venda, que não conseguiu concretizar. O Banco Espírito Santo foi alvo de uma medida de resolução, aplicada pelo Banco de Portugal a 3 de Agosto de 2014, e o recém-criado Novo Banco acabou por herdar o penhor que o BES tinha sobre a seguradora.

 

Aliás, uma providência cautelar a contestar esse penhor de acções acabou por complicar a operação. Foi preciso esperar pela desistência do fundo que questionava a legitimidade do Novo Banco para vender para que a Apollo pudesse seguir em frente. A transacção aconteceu em Janeiro de 2014, com um preço em torno de 50 milhões de euros, acrescido de um aumento de capital na instituição: 150 milhões de euros, valor do buraco que tinha sido aberto na companhia.

 

O fundo Apollo adquiriu a Tranquilidade e as suas marcas, que optou por manter: Advance Care, T Vida e Europ Assistance são exemplos. Depois de adquirir a empresa, o fundo americano mudou a liderança da entidade, contratando Jan de Pooter, o presidente da concorrente Ocidental (seguradora ligada ao BCP).

  

O grupo Tranquilidade foi a alternativa do fundo americano depois de ter perdido a corrida pela Fidelidade. Foi a Fosun que ficou com o grupo segurador da Caixa Geral de Depósitos, em 2014. 

 

A corrida ao Novo Banco

 

Juntamente com a Fosun, a Apollo esteve na corrida pelo Novo Banco, tendo sido um dos três finalistas. Contudo, apesar de ter até elevado o preço oferecido pelo banco liderado por Eduardo Stock da Cunha na parte final do concurso, a operação não seguiu em frente.

 

Comprar o Novo Banco seria, para a Apollo, a oportunidade de reconstruir a área financeira do antigo Grupo Espírito Santo, conseguindo gerar sinergias comerciais e operacionais: juntar, sob o mesmo accionista, os seguros à rede bancária em que era possível vendê-los.

 

O concurso internacional, de que a Apollo Global Management era um dos 17 concorrentes iniciais, foi cancelado em Setembro de 2015. O Banco de Portugal retomou o processo para conseguir vender a posição que o Fundo de Resolução tem na instituição financeira mas ainda não há caderno de encargos, pelo que ainda não se sabe se a Apollo estará interessada.

 

O pré-acordo para a Açoreana

 

Depois de tentar a Fidelidade e de conseguir a Tranquilidade, o ímpeto de compras da Apollo no sector segurador continuou. Esteve na corrida pela Axa. Acabou por perder para a Ageas, que em Portugal já controla a Ocidental. Mas voltou a conseguir sair vitoriosa de um novo processo. O da Açoreana.

 

Esta segunda-feira, 8 de Fevereiro, o regulador do sector, a ASF, anunciou o pré-acordo para a venda e a capitalização da companhia Açoreana. Um processo que tem alguns paralelos com a Tranquilidade.

 

Um deles é que quem lançou o processo de venda não foi, na íntegra, quem o concluiu. O grupo Banif (com 47,7% do capital da Açoreana) e a Soil SGPS (dos herdeiros de Horácio Roque, fundador do banco, que tinham 52,3%) acordaram vender o capital no Verão de 2015. Mas, a 20 de Dezembro de 2015, o Banco de Portugal interveio no banco, ditando a sua divisão em três. A posição do Banif na Açoreana não foi comprada pelo Santander Totta nem ficou na entidade em que permaneceram os accionistas, que vai para liquidação; transitou para o veículo de gestão de activos Oitante. Jorge Tomé, que estava no processo inicial de venda, já não está na gestão do processo, que foi mesmo liderado pelo regulador. 

 

À semelhança da Tranquilidade, também a Açoreana ficou com um buraco nas contas, nomeadamente devido à resolução, já que tinha investido 75 milhões de euros no banco que ficaram na entidade que vai para liquidação com o nome de "Banif". Também houve novas regras de solidez, o regime de Solvência II, a entrarem em vigor a 1 de Janeiro de 2016, o que complicou a situação da Açoreana. Dessa forma, a venda tem de ser feita ao mesmo tempo que uma capitalização. Nada que a Apollo já não tenha sentido quando adquiriu a Tranquilidade. 

 

Mas quem é a Apollo? 

 

Fundada em 1990, a norte-americana Apollo assume-se como uma das maiores gestoras de fundos de investimento a nível mundial. No final do ano passado, os activos sob gestão totalizavam 170,1 mil milhões de dólares (152 mil milhões de euros). Tem 933 trabalhadores, sendo 352 profissionais de investimento, de acordo com dados de Setembro de 2015. Tem mais de 15 escritórios em todo o mundo. Segundo a mesma fonte, Lisboa ainda não tem direito (Madrid é o mais próximo).  Está presente nas áreas de "private equity" (fundos que compram empresas, asseguram a sua reviravolta, de modo a valorizá-las e depois vendê-las a um preço mais alto do que o investimento), no crédito e no imobiliário.

 

O sector financeiro continua a ser uma das apostas da gestora norte-americana e na Europa, a Apollo já foi à compra de bancos. O alemão BKB Bank, fundado em 1863, foi um dos mais recentes investimentos da Apollo Global Management, gestora norte-americana de fundos de "private equity". Desde 1 de Outubro do ano passado que a sociedade é um dos maiores accionistas do banco que o belga KBC tinha na Alemanha e que aposta no financiamento de PME.

 

Este foi o segundo banco que a Apollo adquiriu na Europa no espaço de dois anos, depois de em 2013 ter adquirido o EVO Banco, instituição que fazia parte do grupo espanhol NCG Banco, nacionalizado em 2012 na sequência da crise bancária espanhola.

 

Numa apresentação aos investidores, em Agosto, o fundo de investimentos, que tem uma capitalização bolsista superior a oito mil milhões de dólares, explica a sua estratégia de investimento: orientada para o valor analisando os ciclos e estruturas dos mercados de forma oportunística. Diz ter nove sectores-alvo, sendo o sistema financeiro um deles. Além deste assume interesse, e tem participações, na indústria química, distribuição, transportes e logística; media, cabo e lazer; embalagens e materiais; satélites e telecomunicações; indústria; e recursos naturais.  

 

O objectivo é dentro de três a cinco anos ter sob gestão activos que totalizem 250 a 300 mil milhões de dólares, acrescentou a empresa liderada por Leon Black.

(Notícia corrigida no segundo parágrafo, para mudar o ano para 2015)




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