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Financiamento do BCE à banca portuguesa dispara para máximo de 2014 nos 31 mil milhões

O Banco Central Europeu emprestou mais 10 mil milhões à banca nacional em junho deste ano do que em maio. A quantia é destinada para as famílias e empresas portuguesas.

Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 14 de Julho de 2020 às 13:28
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O Banco Central Europeu (BCE) tinha empréstimos de 31,561 mil milhões de euros aos bancos portugueses em junho deste ano, um aumento superior a 10 mil milhões de euros face ao mês anterior, segundo os dados do Banco de Portugal. A banca portuguesa aproveitou o ambiente atual de taxas de juro negativas para aumentar o financiamento junto do BCE para um valor que não se verificava desde dezembro de 2014.

Este forte aumento em junho surge depois da banca portuguesa ter participado no empréstimo concedido pelo BCE à banca europeia em meados de junho. Isto numa altura em que a procura de crédito por parte das empresas aumentou fortemente para fazer face à escassez de liquidez que resultou da pandemia. 

A atual taxa de juro de -0,5% definida pelo BCE nos empréstimos aos bancos - que pode eventualmente baixar para -1%, caso os bancos cumpram determinados objetivos - significa que a instituição liderada por Christine Lagarde está a pagar aos bancos para emprestarem este dinheiro, que terá como destinatário final as empresas e famílias portuguesas. 



Todo este montante divulgado agora pelo Banco de Portugal diz respeito ao programa de operações de refinanciamento de prazo alargado (TLTRO III, na sigla em inglês).

No mês anterior, o montante total fixou-se nos 21,241 mil milhões de euros e em junho do ano passado foi de 18,674 mil milhões de euros, menos quase 13 mil milhões face ao valor atual. No final de 2012, com o plano de resgate financeiro a Portugal em curso, esse montante chegou a ser de 60 mil milhões. Na altura o financiamento da banca portuguesa estava quase totalmente dependente do BCE, um cenário bem diferente do que se verifica atualmente.

A banca portuguesa, como a de outros países europeus, está a aproveitar as condições historicamente favoráveis dos empréstimos do BCE.

A estimativa inicial do Capital Economics apontava para que a banca nacional fosse buscar qualquer coisa como 13 mil milhões de euros à instituição europeia no empréstimo de junho, o que representaria cerca de 1% do montante total de 1,3 biliões de euros que o BCE emprestou aos bancos do "velho continente".

De acordo com os dados divulgados na altura pelo BCE existiram 742 bancos na Zona Euro a solicitar empréstimos junto da entidade. 

Do total de 1,3 biliões que chegaram aos cofres dos bancos europeus, 760 mil milhões de euros deverão ser usados para reembolsar empréstimos que estão a chegar à maturidade. E de acordo com o Financial Times, a restante quantia (549 mil milhões) deverá ser dedicada à compra de obrigações emitidas pelos governos.
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