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Fitch: bancos portugueses vulneráveis a uma contração prolongada

A agência de notação financeira considera que a contração resultantes da pandemia de covid-19 é um risco significativo para a banca portuguesa, se bem que o setor esteja "mais bem preparado" para esta crise do que quando se deu a última crise financeira mundial.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 30 de Julho de 2020 às 17:37
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Os bancos portugueses estão vulneráveis à contração económica decorrente da pandemia do novo coronavírus e a um período de baixas taxas de juro, sublinha a Fitch num relatório divulgado esta quinta-feira. No entanto, o setor em Portugal está "mais bem preparado" para esta crise do que quando se deu a última crise financeira mundial, considera a agência.

Segundo a Fitch, "as tendências de rendibilidade de longo prazo da maioria dos bancos continuam condicionadas pelas perspetivas de crescimento limitado e pela inexistência de uma diversificação do modelo de negócio. Isto torna os bancos portugueses vulneráveis ao período prolongado de baixas taxas de juro".

 

A agência não antevê que o crédito malparado dispare para níveis tão altos como os de 2016, devido a padrões de amortização mais rígidos e aos reduzidos riscos de concentração nos setores de alta alavancagem.


"A contração económica sem precedentes, decorrente da pandemia de coronavírus, é um risco chave para os ‘ratings’ dos bancos portugueses, com a forte recessão a pressionar o contexto operacional da banca, a qualidade dos seus ativos, os lucros e a capitalização", sublinha.

 

A Fitch destaca que as perspetivas a longo prazo para a rendibilidade já eram limitadas para a maioria dos bancos no início da crise, e que será muito importante – para os atuais ‘ratings’ – as instituições financeiras manterem adequadas almofadas de capital e gerirem os ativos problemáticos de forma ativa durante este período de contração.

 

"O choque económico sem precedentes, na sequência das medidas de confinamento para conter a crise sanitária, constitui um risco substancial para a notação da banca", reitera a agência.

 

Por essa razão, a Fitch tem tomado decisões de ‘rating’ negativas em relação aos bancos portugueses desde abril passado.

 

A agência tem um ‘outlook’ (perspetiva para a evolução da qualidade da dívida)  negativo para a CGD, BCP, BPI e Santander Totta.

 

Em junho, procedeu a um "downgrade" do Banco Montepio para B- (sexto nível da categoria de investimento especulativo, o chamado ‘lixo’), com perspetiva negativa.



(notícia atualizada às 18:35)

 

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