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Jorge Tomé: Investimento da CGD na La Seda “não fazia sentido”

O ex-administrador da CGD diz que a entrada da CGD no capital da catalã La Seda com o objetivo de influenciar a empresa a trazer para Portugal o projeto da fábrica em Sines “não fazia sentido nenhum".

Lusa
Rita Atalaia ritaatalaia@negocios.pt 07 de Junho de 2019 às 16:12
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Jorge Tomé, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e que foi responsável pelo CaixaBI, afirma que a entrada de capital do banco estatal no grupo catalão La Seda Barcelona para que fosse possível trazer o projeto da fábrica para Sines "não faz sentido" na sua perspetiva. Ainda assim, a instituição financeira acabou por avançar com o investimento e financiar a construção da unidade que ficou conhecida como Artlant. 

 

Questionado pela deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua que avaliação fez do projeto, Jorge Tomé, apesar de reconhecer as suas vantagens para a economia nacional, afirmou que "não fazia sentido nenhum que a Caixa fosse fazer um investimento em Espanha, de 5% [no capital da La Seda], para tornar possível que uma empresa espanhola decidisse investir em Portugal. Para nós, não fazia sentido". 

 

Isto "independentemente do valor da La Seda ou do projeto de Sines. Era a nossa opinião", sublinhou, notando ainda que nem o CaixaBI nem a Caixa Capital "tinham competência" para tomar essa decisão. As declarações foram feitas na comissão parlamentar de de inquérito à gestão da CGD, esta sexta-feira, 7 de junho.

 

Já quando a deputada bloquista perguntou quem é que tinha afinal tomado a decisão, o gestor diz não se lembrar se foi Maldonado Gonelha ou Santos Ferreira que "me disseram que o potencial projeto de Sines era muito importante para Portugal. Por isso, o CaixaBI devia estudá-lo".

 

"Estudámos o projeto de Sines. Pedimos informação para o fazer" e "agendámos o assunto para o conselho de investimento da CGD, onde o assunto foi debatido". O CDS já fez saber que vai requerer à CGD todas as atas destas reuniões e a lista dos participantes nas mesmas. 

"O nosso primeiro parecer no sentido de não investir. Mas o conselho decidiu que era um projeto muito importante para o país. Portanto, sugeriu que a Caixa Capital e o CaixaBI estudassem o projeto com mais profundidade". E assim foi feito.

 

Ainda assim, Jorge Tomé não mudou a sua opinião sobre o investimento, apesar de todos os estudos técnicos que "eram francamente favoráveis". 

 

"A questão que levantámos estava relacionada com a política de investimento da Caixa, mas não era da competência do CaixaBI". E questiona: "Porquê investir numa empresa em Espanha para eventualmente trazer o projeto para o Portugal?". Este projeto acabou por receber o estatuto de projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN), naquele que foi um dos mais ruinosos para o banco estatal. 

 

A primeira pedra da Artlant foi lançada pelo então primeiro-ministro José Sócrates em 2008. Mas a produção só arrancou em 2012. Foi nesse mesmo ano que a unidade entrou logo em incumprimento junto da CGD.

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