Jovens já usaram quase 60% da garantia pública para comprar casa
Foram assinados 25.500 contratos de crédito à habitação ao abrigo do regime no primeiro ano da medida. Representam mais 40% de todos os empréstimos para esse fim concedidos a jovens até aos 35 anos.
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A garantia do Estado de apoio aos jovens na compra da primeira casa a crédito já foi usada em 59% do valor disponível.
Dados do Banco de Portugal (BdP) mostram que no final de dezembro de 2025, um ano depois de a medida ter entrado em vigor, “o montante total disponibilizado pelo Estado no âmbito deste regime era de 701 milhões de euros, dos quais 59,2% estavam utilizados”. Este é o valor da garantia propriamente dita; o crédito correspondente é muito maior, atingindo 5,1 mil milhões de euros.
De janeiro a dezembro de 2025, foram assinados 25.500 contratos de crédito à habitação própria e permanente ao abrigo desta medida.
No mês de dezembro foram contratualizados 2.600 créditos à habitação ao abrigo do regime num montante total de 533 milhões de euros.
Estes créditos "representaram 49,1% dos contratos e 50,9% do montante contratado por jovens até aos 35 anos para a mesma finalidade. Em relação ao mês anterior, o número de contratos com garantia do Estado e o respetivo montante aumentaram 2,0% e 1,3%, respetivamente”, explica o BdP.
Em termos regionais, a utilização da garantia do Estado é assimétrica. No Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Terras de Trás-os-Montes e Beiras e Serra da Estrela, mais de metade dos contratos de crédito para compra de casa assinado por jovens tiveram garantia pública. No extremo oposto estão a Grande Lisboa e a Região Autónoma da Madeira, onde o peso destes contratos foi de cerca de um terço dos empréstimos à habitação concedidos a jovens nestas regiões.
Garantia esgotada. Governo vai pôr mais dinheiro
A forte procura pela medida levou vários bancos a pedirem reforços das suas quotas na garantia pública, esgotando o limite disponível para a garantia. E o Governo quer que ela continua, pelo que vai voltar a aumentar a dotação da medida, sabe o Negócios.
A gota de água que fez transbordar o copo da garantia disponível aconteceu há dias semanas: depois de usar 60% da sua quota, o Santander pediu um reforço de 150 milhões de euros. A solicitação já faz ultrapassar o tecto máximo em mais de 60 milhões de euros, o que significa que para a autorizar, Miranda Sarmento teria de, ao mesmo tempo, aumentar o envelope global que está atualmente nos 1.550 milhões de euros - isto depois de já a ter alargado face aos mil milhões disponíveis no lançamento da garantia, no arranque de 2025.
O cenário obriga a elevar este limite, e é isso que vai acontecer - embora, oficialmente, o Ministério das Finanças não tenha respondido às questões do Negócios. A medida é vista no Terreiro do Paço como sendo de risco reduzido para as contas públicas, dado que o incumprimento no crédito à habitação é tradicionalmente residual – a casa é a última coisa que as famílias deixam de pagar.
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