Ouro cai quase 5% com possível nomeação de Warsh. Dólar ensaia recuperação
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
Dólar ensaia recuperação com novo presidente da Fed à vista
Após uma semana penosa para o dólar, a divisa norte-americana está a ensaiar uma recuperação, depois de o Presidente dos EUA ter anunciado que vai revelar o novo líder da Reserva Federal (Fed) ainda esta sexta-feira. Kevin Warsh, antigo membro do conselho de governadores do banco central, estará à frente da corrida - um nome que está a surpreender os mercados, devido à posição mais "hawkish" do que os seus concorrentes.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg acelera 0,31%, depois de ter caído para mínimos de quatro anos durante a semana. Mesmo assim, a moeda encaminha-se para fechar a semana com um saldo negativo, pressionada por uma série de políticas erráticas por parte da atual administração dos EUA, que culminou com Donald Trump a afirmar que não estava preocupado com a desvalorização do dólar.
Os mercados estão, agora, a incorporar a possível escolha de Kevin Warsh como presidente da Fed. Visto como mais "hawkish" que os outros nomes na corrida, como Kevin Hassett ou Rick Rieder, Warsh advoga por taxas de juro mais baixas mas tem uma posição bastante mais moderada em termos de política monetária. Juros diretores mais elevados tendem a restringir o crescimento económico e das empresas - uma das formas que os países têm para conter a inflação -, o que pode levar a um arrefecimento do mercado acionista, aumento dos juros da dívida e ainda a um reforço da divisa norte-americana.
O euro recua 0,35% para 1,1929 dólares e a libra desvaloriza 0,3% para 1,3766 dólares. Já a "nota verde" acelera 0,49% para 153,86 ienes, deixando a divisa nipónica novamente no centro das atenções. O mercado cambial chegou a incorporar uma possível intervenção conjunta no iene por parte das autoridades norte-americanas e japonesas, o que deu algum alento à moeda esta semana, mas o envolvimento dos EUA acabou por ser negado pelo secretário do Tesouro do país, Scott Bessent.
Ouro cai quase 5% com possível nomeação de Wash. Metal vive melhor mês desde 1982
O ouro ainda chegou a recuperar do "sell-off" de quinta-feira, mas as notícias que colocam Kevin Warsh como o nome indicado para liderar a Reserva Federal (Fed) norte-americana voltaram a afundar o metal precioso. Os preços do ativo de refúgio predileto dos investidores chegaram a cair quase 5% esta sexta-feira, com os mercados a incorporarem um novo presidente do banco central mais "hawkish" do que era antecipado - o que tende a desfavorecer o ouro.
A esta hora, o metal precioso já reduziu um pouco as perdas, mas continua a cair 4,22% para 5.148,35 dólares por onça, depois de ter fixado um novo máximo histórico de 5.595,47 dólares na quinta-feira - antes de cair abruptamente com a tomada de mais-valias. Apesar das quedas registadas nesta sessão, o ouro encaminha-se para fechar o melhor mês desde 1982, ao valorizar mais de 20%, com os investidores a acorrerem à "commodity" para encontrar refúgio de uma escalada nas tensões internacionais.
De acordo com órgãos de comunicação norte-americanos, que citam fontes anónimas, Donald Trump deverá nomear Kevin Warsh, antigo membro do conselho de governadores da Fed, como o novo líder do banco central. Visto como mais "hawkish" que os outros nomes na corrida, como Kevin Hassett ou Rick Rieder, Warsh advoga por taxas de juro mais baixas, mas tem uma posição bastante mais moderada em termos de política monetária.
O ouro tende a beneficiar de taxas de juro mais baixas, uma vez que não rende juros. Como a possível nomeação de Warsh está a dar algum impulso ao dólar, isso torna a negociação do ouro mais dispendiosa para investidores que usam outras divisas. Para Christopher Wong, estratega do Oversea-Chinese Banking, estes movimentos do metal precioso "validam o mantra de tudo o que sobe, tem de descer", com os mercados à espera de um acontecimento que justifique uma correção nos preços. "É uma daquelas desculpas que os mercados estão à espera para reverter estes movimentos parabólicos", acrescenta.
Petróleo dá "passo atrás" mas encaminha-se para fechar o melhor mês em anos
O barril de petróleo está a desvalorizar mais de 1% esta manhã, uma correção dos grandes ganhos das últimas sessões, mas que não impede a matéria-prima de fechar o melhor mês em vários anos. É, aliás, o primeiro mês no verde para o crude em meio ano, com o "ouro negro" a ser impulsionado por uma escalada no prémio de risco após as ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, ao regime iraniano.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – perde 1,74%, para os 64,28 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 1,29% para os 69,80 dólares por barril. Na quinta-feira, o Brent ultrapassou pela primeira vez desde setembro do ano passado a barreira psicológica dos 70 dólares e atingiu máximos de finais de julho, encaminhando-se para fechar o melhor mês desde janeiro de 2022.
Com as ameaças de uma investida dos EUA contra o Irão e o bloqueio do Estreito de Ormuz por materializar, os preços acabaram por aliviar depois de terem disparado quase 4% na sessão de quinta-feira. As tensões entre os dois países escalaram depois de Trump ter feito um ultimato ao regime de Ali Khamenei: ou o país chega a um acordo com os EUA para acabar com o seu programa nuclear ou poderá vir a enfrentar uma intervenção militar de maiores proporções às registadas em junho do ano passado - que atirou o preço do Brent acima dos 70 dólares.
A resposta de Teerão não tardou em chegar. O país mostrou-se disponível para um diálogo baseado em "respeito e interesses mútuos", mas rejeitou qualquer tipo de pressão vinda dos norte-americanos, acrescentando que o país está pronto para "se defender e responder como nunca antes". O Irão é o quarto maior produtor da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com um "output" de cerca de 3,2 milhões de barris por dia.
Os analistas do banco norte-americano Citi consideram que o petróleo está a negociar com um prémio de risco de sete a dez dólares, de acordo com a Bloomberg. Não antecipam uma nova escalada de tensões no curto prazo, com os EUA e o Irão a restringirem as suas ações. Caso um ataque aconteça, Trump deverá evitar infraestrutura petrolífera, referem ainda.
Ásia divide-se entre ganhos e perdas com Kevin Warsh a liderar corrida à Fed. Europa aponta para o verde
As principais praças asiáticas encerraram a derradeira sessão da semana divididas entre ganhos e perdas, após uma série de sessões a renovar recordes consecutivos, num dia em que os investidores aguardam com grande antecipação a escolha de Donald Trump, Presidente dos EUA, para a presidência da Reserva Federal (Fed) norte-americana. Vários órgãos de comunicação do país estão a apontar para Kevin Warsh como o próximo nome a assumir as rédeas do banco central, após uma visita do antigo governador da autoridade monetária à Casa Branca na quinta-feira - e os mercados já começaram a incorporar essa escolha.
Visto como mais "hawkish" que os outros nomes na corrida, como Kevin Hassett ou Rick Rieder, Warsh advoga por taxas de juro mais baixas mas tem uma posição bastante mais moderada em termos de política monetária. Juros diretores mais elevados tendem a restringir o crescimento económico e das empresas - uma das formas que os países têm para conter a inflação -, o que pode levar a um arrefecimento do mercado acionista, aumento dos juros da dívida e ainda a um reforço do dólar.
"A perceção do mercado é de que Kevin Warsh seria a opção relativamente mais tradicional e menos 'dovish' como presidente da Fed, caso em que podemos ver menos cortes nas taxas", explica Andrew Ticehurst, estratega sénior da Nomura Australia, à Bloomberg. No entanto, a agência financeira diz que a escolha só é final quando o Presidente dos EUA a anunciar, de acordo com fontes que preferiram não ser nomeadas.
Neste contexto, o MSCI AC Asia Pacific - "benchmark" para a região - encerrou a sessão com perdas de 0,9%, depois de ter atingido máximos históricos nas últimas sessões. Pelos EUA, os futuros apontam para uma abertura no vermelho, com o S&P 500 a cair 0,7%, enquanto na Europa a tendência deve ser contrária - com as ações do Velho Continente a recuperarem das quedas de quinta-feira, quando foram pressionadas pelos maus resultados da SAP.
Entre as principais praças asiáticas, os chineses Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite cederam 2% e 0,9%, respetivamente, encabeçando as perdas da região. Já o sul-coreano Kospi conseguiu avançar mais de 1% esta sexta-feira, enquanto o japonês Nikkei 225 ganhou 0,25% e o australiano S&P/ASX cresceu 0,23%.
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