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Sindicatos preocupados com saída de mais de 100 trabalhadores da Generali Seguros

Os sindicatos de trabalhadores dos seguros estão preocupados com o processo de saída de mais de 100 trabalhadores na Generali Seguros e esperam que seja minimizado o processo de despedimento coletivo, a primeira intenção do grupo.

Lusa 04 de Novembro de 2020 às 18:06
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A Generali Seguros, que tem as marcas Tranquilidade, Açoreana e Logo, abriu um processo de "adesão voluntária" para a saída de trabalhadores, de acordo com a informação enviada aos cerca de 1.200 trabalhadores, a que a Lusa teve acesso.

Segundo a missiva, o processo vai decorrer em duas fases, sendo que na primeira o grupo irá aceitar "candidaturas voluntárias", entre 04 (hoje) e 10 de novembro, e na segunda levará a cabo a "cessação de contratos de trabalho por iniciativa da empresa -- após análise das candidaturas voluntárias".

Contactado pela Lusa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Seguradora (STAS, ligado à UGT), Carlos Marques, disse que a estrutura sindical foi informada pela empresa em 24 de outubro da intenção de fazer um despedimento coletivo de cerca de 130 pessoas.

Na reunião, o grupo indicou que se decidiu pelo despedimento coletivo (que garante subsídio de desemprego) pois já não pode pedir ao Governo mais quota para que trabalhadores que saiam em rescisões por mútuo acordo acedam a subsídio de desemprego (devido às reestruturações feitas nos últimos anos por empresas que hoje integram o grupo).

Segundo o dirigente sindical, o STAS manifestou-se contra a posição da empresa de fazer cortes pelos trabalhadores, mas pediu tempo para sugerir contrapropostas que minorassem o impacto --- indemnização de 1,8 vezes a remuneração mensal efetiva, seguro de saúde a 100% enquanto se mantiver a situação de desemprego, entre outras.

"Na sequência das reuniões não tivemos êxito em várias propostas, nomeadamente nos 1,8 de indemnização, mas a empresa abriu porta para numa primeira fase, que é a que esta a ocorrer agora, acontecer a adesão voluntaria ao processo", afirmou Carlos Marques.

Será em função dos resultados da adesão voluntária que a empresa avaliará o recurso a mecanismos como despedimento coletivo.

Sobre as condições das rescisões voluntárias, disse o dirigente sindical que dependerá de negociação individual, mas que a empresa manifestou disponibilidade para que seja "ligeiramente acima" da proposta inicial de 1,3 vezes a remuneração mensal efetiva.

Pelo Sinapsa -- Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins, Jorge Martins disse à Lusa que foram informados a semana passada pela Generali da intenção de fazer um despedimento coletivo acima de 100 pessoas.

"Tentámos obter dados e os fundamentos legais para o processo, mas não foram facultados por parte da empresa", disse o dirigente do Sinapsa, considerando que sem isso é difícil ao sindicato dar uma opinião mais fundamentada.

Contudo, disse que o Sinapsa vê "com preocupação" este processo e considerou mesmo "estranho e de mau tom" que o grupo faça despedimentos quando o setor segurador apresentou (segundo a ASF - Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) 199 milhões de euros de lucros agregados no primeiro semestre do ano.

"A altura e o momento não servem de justificação para tudo", afirmou.

Em 01 de outubro, as seguradoras Tranquilidade e Generali concluíram o processo de fusão das suas atividades em Portugal, depois de em janeiro passado o grupo italiano ter comprado a companhia Seguradoras Unidas (que integrava as marcas Tranquilidade, Açoreana e Logo) e a prestadora de serviços de saúde AdvanceCare, num negócio que a agência de informação financeira Bloomberg estimou em 600 milhões de euros --- as partes envolvidas não divulgaram o montante.

O grupo segurador Generali, que tem operação em 50 países no mundo, está presente em Portugal desde 1942.

A Tranquilidade pertencia ao Grupo Espírito Santo (GES) e passou na resolução do Banco Espírito Santo (BES) para o Novo Banco. Em 2015, foi comprada pelo fundo de investimento Apollo, num negócio em torno de 215 milhões de euros (50 milhões de euros em dinheiro e 150 milhões de euros para reforçar os capitais).

Já em 2016, a Apollo ficou com a Açoreana, seguradora que pertencia ao Banif antes da resolução do banco, e formou o grupo Seguradoras Unidas, juntando as marcas Tranquilidade, Açoreana e Logo.

Foi esse grupo, que já tinha passado por vários processos de reestruturação, com a saída por acordo de centenas de trabalhadores, que a Generali Seguros comprou no início deste ano.

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