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Escritórios de oito milhões levam Mercadona do Porto para Gaia

Enquanto abre supermercados a norte e procura um terreno para a logística em Lisboa, a retalhista fez a sede portuguesa galgar o Douro com 150 pessoas. Os novos escritórios vão servir como “laboratório” para Espanha.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 22 de Junho de 2020 às 13:32
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A Mercadona alterou a sede social em Portugal, deixando os escritórios alugados no Porto (freguesia de Ramalde), que ocupava desde a entrada em Portugal, em 2016, e mudando para um novo edifício construído de raiz em Vila Nova de Gaia.

 

Situados em Mafamude, por cima do segundo supermercado que abriu no concelho (Av. Padre Jorge Duarte), os novos escritórios contam com uma área de 2.500 metros quadrados, distribuídos por três pisos, e representaram um investimento de oito milhões de euros.

 

Com capacidade para acolher 150 trabalhadores, este espaço "está a servir como laboratório para Espanha", nomeadamente para os futuros escritórios centrais da retalhista em Valência. Numa apresentação à imprensa esta manhã, Elena Aldana explicou que "o objetivo sempre foi ter escritórios próprios" no país, onde faturou 32 milhões de euros no ano de estreia.

 

A diretora geral internacional de relações externas da Mercadona detalhou que neste projeto desenhado pelo gabinete ERRE Arquitectura participaram 132 pequenas e médias empresas portuguesas. Incluindo o desenho, o interior e a envolvente do edifício, que conta com espaços ajardinados na cobertura, a construção demorou mais de um ano e meio, num investimento global de 25 milhões de euros.

 

Acolhendo todos os departamentos da empresa, como o financeiro, jurídico, recursos humanos ou de expansão, a nova sede da Irmãdona – a designação da sociedade portuguesa –, inclui soluções de robótica para aumentar a eficiência energética e está a testar tudo ao detalhe, desde as várias soluções da iluminação às cadeiras, passando pelo papel higiénico.

 

Quase a completar um ano desde a primeira loja inaugurada em Portugal, noutra freguesia de Gaia (Canidelo), a retalhista de origem espanhola conta já com 11 supermercados em Portugal. Até ao final de 2020 vai abrir mais nove lojas em Aveiro, Águeda, Paços de Ferreira, Porto (Campanhã), Trofa, Valongo, Viana do Castelo, Penafiel e Santo Tirso. Estas duas últimas localizações são as próximas a abrir portas.

 

Para estas lojas e também para outras funções de escritório e na área logística, a Mercadona prevê criar mais 600 postos de trabalho – cada loja emprega uma média de 60 pessoas –, chegando assim aos 1.500 funcionários até dezembro. As formações iniciais que costumam ser realizadas em Espanha foram interrompidas por causa da pandemia de covid-19.

 

Busca por terrenos logísticos no sul

 

Contabilizando 220 milhões de euros investidos nos últimos quatro anos em Portugal, que foi o primeiro destino de internacionalização, a marca que lidera o retalho alimentar no país vizinho prevê aplicar este ano mais 140 milhões de euros, que envolvem os novos escritórios, as lojas e atualizações no bloco logístico situado na Póvoa de Varzim.

 

Elena Aldana mantém apenas para 2022 a previsão de chegada a Lisboa, que além dos supermercados, de um escritório e do já anunciado bloco logístico, terá também um centro de coinovação semelhante ao que criou em Matosinhos para conhecer as preferências dos clientes. A gestora frisou que "pode haver gostos distintos" no sul do país, notando que em Espanha cerca de 20% do sortido é adaptado à região.

 

O bloco logístico de Lisboa vai servir também a zona centro, o Alentejo, o Algarve e dar apoio a Espanha porque muitas mercadorias entram [na Europa] através dos portos portugueses. elena aldana, diretora geral internacional de relações externas da Mercadona

Ainda sem data concreta para avançar nem localização definida continua a mega infraestrutura logística de 500 mil metros quadrados que será construída na região de Lisboa e Vale do Tejo. Totalmente automatizada e pensada já para quando tiver 150 lojas no país, será dez vezes maior do que aquela que abriu na Póvoa de Varzim para arrancar com as operações no norte do país.

 

"Devíamos começar a construir já este ano, mas ainda não assinámos um terreno. É uma dimensão enorme para a escala de Portugal. Vai servir também a zona centro, o Alentejo, o Algarve e dar também apoio a Espanha porque muitas mercadorias entram [na Europa] através dos portos portugueses", justificou Elena Aldana, que promete avançar também com a abertura de lojas no interior depois de privilegiar as cidades maiores do litoral no início desta expansão internacional.
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