Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Próximo presidente da Concorrência considera-se "impedido" em temas de banca e energia

Nuno Cunha Rodrigues é presidente da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos desde maio de 2022, e ocupa o cargo equivalente na Floene. Garante que abandonará as empresas mas considera-se impedido nesses setores.

Miguel Baltazar/Negócios
Hugo Neutel hugoneutel@negocios.pt 24 de Janeiro de 2023 às 18:55
O próximo presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) abandonará a liderança das Assembleias Gerais da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Floene (antiga Galp Gás Natural Distribuição) quando assumir o cargo no regulador, mas admite estar "impedido" nos temas da banca e da energia.

A garantia de Nuno Cunha Rodrigues foi dada nesta terça-feira no Parlamento, onde foi inquirido na Comissão de Economia a propósito da indigitação para a presidência da AdC.

Cunha Rodrigues tem também uma carreira de docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O advogado assegurou que abandonará "todas as funções, excepto as de docente". "Eventualmente manterei o vínculo com a Universidade, em regime ‘pro bono’", clarifica.

"Na Autoridade da Concorrência considerar-me-ei impedido sempre que tiver de tratar de assuntos ligados ao setor financeiro ou ao setor energético", esclareceu, devido ao "vínculo, ainda que ténue, a estas empresas".

Nuno Cunha Rodrigues foi ainda questionado sobre o processo que ficou conhecido como "cartel da banca". O caso consiste na acusação, por parte da AdC, a 11 bancos (incluindo a CGD, BCP, Santander, BPI, BES, Montepio e BBVA) que entre 2002 e 2013 terão partilhado informações de negocio - como "spreads" -, desrespeitando leis da concorrência. A prática levou a AdC a aplicar coimas de 225 milhões de euros aos bancos, que contestam a decisão.

O presidente indigitado argumentou que quando exerceu funções na Caixa Geral de Depósitos o problema não se verificava, dado que os factos terminaram em 2013.

A presidência da Assembleia Geral é um de vários cargos que exerceu no banco público. Antes, foi vogal não executivo do Conselho de Administração, além de membro do Conselho Fiscal.

Entre 2006 e 2013 esteve no gabinete do Ministro da República para a Região Autónoma da Madeira.

Se assumir a presidência da AdC, Cunha Rodrigues sucederá a Margarida Matos Rosa, cujo mandato de seis anos ficou marcado por um volume de coimas que ultrapassou 1,4 mil milhões de euros.
Ver comentários
Saber mais Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos Autoridade da Concorrência AdC Nuno Cunha Rodrigues
Outras Notícias
Publicidade
C•Studio