Desporto CMVM avalia se resposta do Benfica sobre Roberto trai informação de há dois anos

CMVM avalia se resposta do Benfica sobre Roberto trai informação de há dois anos

Informação de 2013 e de 2011 pode ser contraditória. Regulador da Bolsa pode pedir mais informações ao SLB. Ou avançar para coima.
CMVM avalia se resposta do Benfica sobre Roberto trai informação de há dois anos
Correio da Manhã
Pedro Santos Guerreiro 30 de julho de 2013 às 17:51

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está a analisar a resposta dada pelo Benfica sobre a venda do guarda-redes Roberto em 2011. A dúvida está em se a SAD “encarnada” foi coerente na informação prestada agora, em relação à informação tornada pública ao mercado em 2011.

 

Contactada pelo Negócios, a CMVM não presta informações, invocando o segredo do processo. Mas o processo normal passa por confrontar as informações agora prestadas com as de 2011 para aferir a sua concordância ou discordância. Em caso de discordância, a CMVM poderá pedir mais esclarecimentos à SAD do Benfica ou avançar para uma fase posterior  de apuramento de responsabilidades.

 

Segundo o Código de Valores Mobiliário, se a CMVM concluir que a informação agora prestada não é coerente com a anterior, então pode decidir que houve omissão de informação verdadeira e completa prestada ao mercado. Nesse caso, a consequência pode ser contra-ordenacional: uma coima à SAD Benfica.

 

Contradição?

 

Recorde-se que, em Agosto de 2011, o Benfica comunicou a venda de Roberto por 8,6 milhões de euros. Ora, na sexta-feira, o Atlético de Madrid anunciou que tinha chegado a acordo com o Benfica para a compra do guarda-redes. Como, se o guarda-redes já não era do Benfica desde 2011? Terá sido esta pergunta que levou a CMVM a solicitar, esta segunda-feira, esclarecimentos à SAD encarnada.

 

De acordo com “Record”, dos 8,6 milhões de euros da venda de Roberto, o Saragoça apenas pagou 86 mil euros. Os restantes 8,514 milhões de euros terão sido debitados a um fundo que ainda não tinha liquidado a dívida total ao clube português e que, portando, não podia vender Roberto ao Atlético Madrid.

 

O Benfica esclareceu entretanto a CMVM, em comunicado, que perante o incumprimento da BE Plan, entidade que comprou os direitos do jogador Roberto em Agosto de 2011, “e tendo em conta as garantias que estavam associadas a essa cedência de direitos económicos, a Benfica SAD exerceu uma das garantias”. Como tal, o Benfica recuperou os direitos desportivos e a totalidade dos direitos económicos do jogador Roberto, como definido nos acordos estabelecidos com a SAD do Saragoça e a BE Plan. Depois de recuperados os direitos, estes foram transferidos a “título definitivo” para o Atlético de Madrid, por seis milhões de euros. No entanto, esta transferência dos direitos económicos tem efeitos imediatos mas, a dos direitos federativos é diferida para 1 de Julho do próximo ano. “Assim, por acordo entre as partes e o atleta, foi este último cedido a título de empréstimo, até 30 de Junho de 2014, ao Olympiacos FC”, conclui o comunicado.