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As motas elétricas que vão aquecer o mercado em 2021

A Volcon Grunt não é uma mota típica. Tem grandes pneus de borracha e um único farol LED tipo ciclope. Não é uma cruiser nem é para corridas de rua. Na verdade, não poderia sequer circular em áreas urbanas.

Bloomberg 27 de Março de 2021 às 12:00
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Mas com uma velocidade máxima de 96 km/h e um motor elétrico que, segundo o fabricante, pode percorrer 160 quilómetros com um único carregamento, o que esta moto pode fazer é levá-lo a explorar a natureza e voltar, quase silenciosamente. O mercado-alvo para a Grunt, com um preço de 5.995 dólares, são caçadores, amantes de caminhadas, pescadores, observadores de pássaros e outros aventureiros.

"Esta é uma mota que não foi pensada para motociclistas", diz Andrew Leisner, CEO da Volcon, com sede em Austin, Texas.

Ao que parece, o mesmo se pode dizer de muitas das suas concorrentes. Depois de quase duas décadas de carros elétricos, há um boom de motas elétricas de todos os formatos e tamanhos. Há motas para circular pelo bairro, pelo campo e até mesmo algumas desportivas que custam mais de 100 mil dólares.

Algumas, como a Harley-Davidson Livewire, foram muito promovidas e testadas por um grande número de jornalistas com carta de mota. Outras, como a Zero SR/S, são opções confiáveis nos círculos de veículos elétricos, mas ainda desconhecidas da grande população de motociclistas. Outras, como a Tarform Luna, ainda não estrearam, embora o modelo deva ser lançado este ano. Cada uma, claro, promete alternativas elegantes e livres de emissões em vez da combustão interna.

O segmento de motas elétricas tem sido limitado pelo alto custo inicial das baterias, mas está a ganhar espaço. Em 2019, o mercado global de motas e trotinetas elétricas atingiu 30 mil milhões de dólares, de acordo com a empresa de pesquisas Global Market Insights. A previsão é de um crescimento de 4% por ano no futuro previsível e um valor de mercado de 40 mil milhões até 2026, segundo a GMI. O mercado de motas convencionais, por sua vez, estagnou.

O potencial de crescimento das motas elétricas explica-se pelo preço de entrada mais baixo para novos motociclistas e amadores de fim-de-semana. Também podem chegar a grupos periféricos de motociclistas que a maioria dos modelos tradicionais não consegue atingir, diz Leisner, da Volcon, como pessoas que gostam de conduzir em lugares remotos e intocados, hostis aos motores barulhentos e à poluição dos veículos.

"Acreditamos que o entusiasmo por atividades ao ar livre em acampamentos e pesca em geral e na vida selvagem está a crescer, mesmo depois da pandemia", disse Leisner. "Estamos num ótimo espaço."

Melhor ainda, as novas ofertas elétricas, como as da Zero Motorcycles, da Califórnia, podem agora competir com sucesso com motas convencionais no que diz respeito à qualidade da produção e desempenho.

Não deverá estar longe uma competição acirrada com as versões a gasolina, de acordo com o responsável pela unidade de motas da BMW. "A mobilidade elétrica será importante para motas em áreas urbanas dentro de cinco anos", disse o CEO da BMW Motorrad, Markus Schramm, em entrevista ao Cycle World, admitindo, porém, que o próprio conceito da BMW - que prometia um motor elétrico cilíndrico futurístico localizado sob a bateria e a energia enviada para a roda traseira através do eixo universal - não se tornará realidade.

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