Líder parlamentar do CDS: “Sei bem o que faria” se fosse Joaquim Pais Jorge
Nuno Magalhães não quis dizer claramente que defendia a demissão do secretário de Estado do Tesouro mas considera que “é óbvia” qual seria a sua resposta se estivesse no lugar de Pais Jorge.
Nuno Magalhães não tem dúvidas sobre qual seria a sua posição se estivesse na situação do actual secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge.
“Eu sei bem o que faria”. Esta é a resposta do líder da bancada parlamentar do CDS, partido que sustenta a coligação governamental ao lado do PSD, caso fosse Joaquim Pais Jorge, perante o “briefing” do Governo que ocorreu na terça-feira.
Nesse encontro com os jornalistas, o secretário de Estado Adjunto do ministro Adjunto, Pedro Lomba, afirmou que, na história de Joaquim Pais Jorge enquanto alegado participante em reuniões para a venda de produtos financeiros especulativos no Citigroup, existiam “inconsistências problemáticas” que mereciam averiguações. As palavras foram entendidas por vários jornais como uma “demissão em directo”, como escreve esta quarta-feira o jornal “i” e escrevia ontem o director-adjunto do “Público”, Pedro Sousa Carvalho, num artigo de opinião.
“E o que é que faria?”, perguntou Mário Crespo a Nuno Magalhães, no debate que aconteceu na noite de terça-feira na SIC Notícias. “Eu acho que é óbvio”, respondeu.
“Demitia-se?”
“Eu acho que é óbvio”.
“Abandonava a equipa?”
“Eu acho que é óbvio”.
“Mas acho, também, que devo ser prudente em não o dizer”, concluiu o deputado do CDS/PP, partido liderado por Paulo Portas, o vice-primeiro-ministro do actual Executivo.
Nuno Magalhães sabe “bem” o que faria mas não falou directamente num pedido de demissão.Mas são vários os pedidos feitos num momento em que o secretário de Estado permanece sob pressão devido à polémica em torno do cargo que ocupava em 2005 no Citigroup. Nessa altura, terá participado em reuniões, em nome do banco, onde terão sido propostos ao Estado produtos financeiros, com base em “swaps” de taxas de juro, que melhorariam as contas públicas no curto prazo, mas que teriam riscos no futuro. A mesma estrutura que é criticada pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, quando acusa os gestores do tempo do Governo de José Sócrates pelas perdas potenciais criadas pelos “swaps” nas empresas públicas.
Joaquim Pais Jorge pediu a demissão esta quarta-feira de manhã.