Ministério Público abre inquérito por alegada adulteração de documentos que envolvem Pais Jorge
Foi ordenada a abertura de um inquérito para "apurar da eventual existência de ilícito criminal" na eventual modificação de documentos em torno do papel de Joaquim Pais Jorge no Citigroup, como acusa o Ministério das Finanças.
A eventual alteração de documentos que envolvem Joaquim Pais Jorge, enquanto funcionário do Citigroup, e o Governo liderado por José Sócrates vai ser alvo de inquérito no Ministério Público.
Não é ainda certo se houve alguma queixa por parte do actual Governo apesar de a Procuradoria garantir que tal decisão se deveu, apenas, às notícias veiculadas pela comunicação social.
“Na sequência das notícias divulgadas pela comunicação social relativamente à eventual alteração do conteúdo de documentos em que constam o nome do actual Secretário de Estado do Tesouro, foi determinada a comunicação ao DIAP [Departamento de Investigação e Acção Penal] de Lisboa para abertura de inquérito”, indicou a Procuradoria-Geral da República em resposta a questões colocadas pelo Negócios esta manhã.
O inquérito a abrir sobre este caso, que levou ao pedido de demissão de Joaquim Pais Jorge esta quarta-feira, terá como objectivo “apurar da eventual existência de ilícito criminal no caso concreto”.
O Ministério das Finanças enviou esta quarta-feira um comunicado às redacções em que sublinha que a apresentação de 2005, relativa a uma eventual proposta de negócio de produtos financeiros especulativos entre Joaquim Pais Jorge - enquanto representante do Citigroup - e o Governo de José Sócrates, "foi falseada para que incluísse o nome de Joaquim Pais Jorge".
O gabinete de Maria Luís Albuquerque tornou públicos os dois documentos - o que diz ser original e o que diz ter sido adulterado. Não é claro se o Ministério das Finanças fez alguma queixa sobre o caso. Questionada pelo Negócios, a PGR esclareceu, por e-mail, que "a abertura de inquérito foi determinada oficiosamente, ou seja, por iniciativa própria da Procuradoria-Geral da República".
(Notícia actualizada às 17h35 com posição da PGR a esclarecer que abertura do inquérito se deveu a iniciativa própria)