Governo alega que apresentação do Citigroup foi "falseada" para incluir nome de Pais Jorge
O Executivo diz que o documento que foi disponibilizado a alguns órgãos de comunicação social foi “falseado” de forma a incluir “o nome de Joaquim Pais Jorge” na apresentação que o Citigroup fez ao Executivo que tinha como objectivo a venda de produtos financeiros. Algo que é considerado pelo Governo de "política intolerável".
“As notícias vindas a público nos últimos dias, em que uma apresentação com mais de oito anos foi falseada para que incluísse o nome de Joaquim Pais Jorge, secretário de Estado do Tesouro, revelam um tipo de actuação política intolerável”, acusa o Executivo num comunicado.
O Governo enviou, no comunicado emitido para tentar esclarecer este assunto, dois documentos. Um que será o original e outro que terá sido “falseado” para incluir “um organigrama inverosímil, que não consta da apresentação original, com o logótipo do banco com um grafismo diferente. É neste organigrama, e apenas nele, que aparece o nome do secretário de Estado do Tesouro.”
“Considera-se inverosímil, porque o conteúdo deste organigrama não faz sentido numa apresentação de uma operação desta natureza – swaps de gestão de dívida pública -, visto que a equipa que está referenciada não interviria na sua preparação, negociação e implementação. Note-se que a equipa identificada é da área de infraestruturas”, adianta a mesma fonte.
O Governo adianta que o “documento original está datado e logo na página de rosto – 1 de Julho de 2005. O documento que chegou às mãos dos jornalistas não tem qualquer referência cronológica, nem números de páginas.”
No documento enviado às redacções não são referidas mais informações sobre este assunto.
As notícias sobre a participação de Joaquim Pais Jorge em reuniões com responsáveis do Governo de José Sócrates, enquanto director do Citigroup, têm-se duplicado. Esta semana a SIC noticiou que o responsável esteve reunido por três vezes com membros do gabinete de José Sócrates. O objectivo seria o de vender produtos financeiros que permitissem esconder a realidade da dívida e do défice público. Algo que foi recusado pelo Governo. O próprio secretário de Estado confirmou as reuniões, mas nega ter qualquer relação com a proposta para esconder a dívida.
Esta terça-feira, a revista “Visão” divulgou mesmo datas em que o agora secretário de Estado do Tesouro terá estado reunido com dois assessores económicos do primeiro-ministro, Óscar Gaspar e Vítor Escária.
O Governo tinha prometido, na terça-feira dar todos os esclarecimentos sobre este caso no próprio dia. Pouco antes da meia-noite alguns órgãos de comunicação começaram a noticiar que o Executivo tinha concluído que os documentos, publicados pela SIC e Visão, tinham sido forjados.