Empresas Microsoft colaborou com universidade militar chinesa. Especialistas alertam para riscos

Microsoft colaborou com universidade militar chinesa. Especialistas alertam para riscos

A tecnológica colaborou com uma universidade controlada pelo principal órgão militar chinês em investigações sobre inteligência artificial. Autoridades norte-americanas admitem criar regras mais apertadas.
Microsoft colaborou com universidade militar chinesa. Especialistas alertam para riscos
Negócios 10 de abril de 2019 às 16:33
A Microsoft colaborou com uma universidade militar chinesa numa investigação centrada em inteligência artificial, que vários especialistas temem que possa vir a ser utilizada para desenvolver sistemas de vigilância e censura por parte do governo chinês. A informação é avançada, esta quarta-feira, 9 de abril, pelo Financial Times.

O mesmo jornal dá conta de que a investigação foi desenvolvida, entre março e novembro do ano passado, por académicos da Microsoft Research Asia e por investigadores ligados à Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China, uma instituição controlada pela Comissão Militar Central, o órgão militar mais importante do país.

Em causa estão três artigos científicos, que levantam preocupações devido à natureza da tecnologia que está a ser investigada e às ligações institucionais dos autores. "O governo chinês está a usar estas tecnologias para construir sistemas de vigilâncias e para deter minorias", afirma ao Financial Times Samm Sacks, especialista em política de tecnologia, referindo-se à região autónoma de Xinjiang, onde existem "campos de reeducação" para os uigures, membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana.

Um outro especialista em política cibernética, Adam Segal, aponta que as parcerias académicas entre os Estados Unidos e a China estão "cada vez mais sob o radar do FBI, que está atento às ameaças de espionagem de estudantes e cientistas".

A Microsoft, por seu lado, defende que os seus investigadores "conduzem projetos fundamentais com académicos e especialistas líderes de todo o mundo", acrescentando que, em cada caso, "a investigação é pautada pelos princípios da empresa e cumpre na íntegra as leis locais e dos Estados Unidos". Sublinha, ainda, que todas as investigações são publicadas "para assegurar a transparência e para que todos possam beneficiar delas".

Contudo, as autoridades norte-americanas estão mesmo a considerar estabelecer regras mais rígidas para as colaborações académicas internacionais que envolvam instituições norte-americanas, particularmente em áreas sensíveis como a inteligência artificial ou a realidade aumentada.

"As empresas americanas têm de perceber que fazer negócio na China acarreta um risco significativo e profundo. Para além de poderem ser acusadas de espionagem por parte do Partido Comunista da China, as empresas americanas correm o risco de impulsionar as atrocidades contra os direitos humanos cometidas pelo Partido Comunista da China", referiu Ted Cruz, citado pelo Financial Times.

O senador republicano do Texas ressalvou que os Estados Unidos e a China não devem parar de comercializar produtos entre si, mas salienta que "há um mínimo que tem de ser assegurado para que as empresas americanas não permitam a opressão do Partido Comunista da China".



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