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"Não é fácil" saber mandar, diz o Sr. Bacalhau

A Rui Costa e Sousa & Irmão é uma "média grande empresa", tem 400 trabalhadores e vende a maioria do bacalhau nos mercados externos.

Alexandra Noronha anoronha@negocios.pt 23 de Abril de 2014 às 11:34
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Rui Costa | A Rui Costa e Sousa & Irmão emprega 400 e factura 125 milhões. 

 

 

A Rui Costa e Sousa & Irmão é uma "média grande empresa", tem 400 trabalhadores e vende a maioria do bacalhau nos mercados externos. O fundador, Rui Costa, explicou no Imprint Empreendedor de Aveiro que "vende e compra" bacalhau para a Noruega. "Temos uma estação em que recebemos 200 toneladas por dia - 70% é para escalar e salgar, o restante vai para uma fábrica para fazer óleo de fígado de bacalhau". Em tom de brincadeira: "Só falta comprar o mar e os restaurantes - de resto, temos tudo!"


Nasceu em Tondela e diz que depois do 25 de Abril "teve sorte" em ir para Aveiro. "A minha mãe queria que eu fosse engenheiro. E eu pensei: vou dar cabo da pinha para ir morrer para o Ultramar!?", recordou Rui Costa, que arranjou emprego no final dos anos 70 na cidade e, pouco tempo depois, descobriu o negócio do bacalhau.


Hoje, a empresa, dona da marca Sr. Bacalhau, factura 125 milhões de euros e está em Portugal, Noruega e Brasil, onde comprou "uma empresa em 1998 ao senhor Brites". Mas no início foi complicado. "A única empresa autorizada a importar bacalhau [em Portugal] era a comissão reguladora do comércio de bacalhau. Era muito difícil para um rapazinho como eu ter oportunidade de chegar junto dos armadores". Rui Costa aprendeu a negociar com bancos e armadores e construiu a sua empresa, na Gafanha da Nazaré.


Deixou então conselhos para a nova geração de empresários que tinha à sua frente na plateia. "Estes jovens são outra geração, com mais capacidade intelectual. Uma pessoa quando tira um curso tem de arranjar um patrão e uma empresa boa", considerou Rui Costa, recordando o seu próprio percurso. "Passados quatro ou cinco anos, se souber mandar, acho que deve fazer uma empresa. Não é fácil...", ressalvou o empresário.


"Fui buscar os meus amigos de infância, que tiraram cursos. São todos meus colaboradores. Mando, ponho e disponho, mas nunca sem os ouvir", frisou. "O curso certo hoje é [ser] engenheiro ou advogado", disse, meio a sério, meio a brincar. "Aprendi muito, trabalhei muito, lutei muito", confidenciou Rui Costa, que diz não vender para as grandes superfícies "sem garantia bancária" por discordar das estratégias de pagamento.


O empresário lamentou o estado em que se encontram os antigos armadores. "Quem é daqui de Aveiro sabe que os netos dos armadores faliram todos. A fartura deu em desgraça. Hoje nenhuma empresa está na família [fundadora], porque quando entrava um navio entrava também um mar de dinheiro. Ficaram 'doentes' com a fartura e hoje andam a pedir", insurgiu-se Costa, que foi ao "Imprint Empreendedor" em Aveiro apresentar o caso de sucesso da sua empresa. Para dar o exemplo.

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