Portugal perdeu um dos seus maiores e melhores empresários, diz Ramalho Eanes
O antigo Presidente da República destacou que a António Mota se deve a liderança na transformação da Mota-Engil "no mais diversificado e internacionalizado grupo português de construção".
O antigo presidente da República Ramalho Eanes evocou este domingo o legado de António Mota, líder histórico do grupo empresarial Mota-Engil, falecido aos 71 anos, considerando que Portugal perdeu um dos seus maiores e melhores empresários.
"Portugal perdeu, hoje, um dos maiores líderes empresariais da história recente" do país, afirmou António Ramalho Eanes numa nota enviada à agência Lusa na qual recordou a amizade que há décadas o liga à família Mota e que remonta ao regresso do clã de Angola.
"A minha amizade com a família Mota, que se estendeu com crescente admiração para o Eng.º António Mota, remonta ao período em que o seu pai, Manuel António da Mota, regressou a Portugal, após ter realizado grandes obras em Angola, de que não colheu os frutos, dada a convulsão política e social de então, e reergueu a Mota & Companhia a partir de 1977, com a adjudicação da importante obra de regularização do Mondego, através de uma solução técnica inovadora", referiu.
Ramalho Eanes considerou que António Mota "herdou e deu continuidade à missão e aos grandes valores do pai", mas conseguiu também afirmar-se "como um grande empresário e empreendedor com uma visão de futuro".
Destacou que a António Mota se deve a liderança na "transformação da empresa no mais diversificado e internacionalizado grupo português de construção, com sólida presença e prestígio internacional", sublinhando também a "dedicação à solidariedade e à responsabilidade social" através da criação da Fundação Manuel António da Mota.
"Contribuiu (...) decisivamente, não só para a afirmação da engenharia civil portuguesa enquanto motor de empreendedorismo para o País, como, também, enquanto exemplo de ação socialmente benéfica", disse.
Ramalho Eanes lembrou que António Mota era "possuidor de uma sólida formação humana" e de "uma estatura fora do vulgar", deixando "um legado empresarial e humano ímpares".
"Se a sua família perde um dos seus mais queridos familiares, Portugal perde um dos seus maiores e melhores empresários", sublinhou.
O antigo presidente da Mota-Engil, António Mota, morreu hoje no Porto aos 71 anos.
Nascido em 1954, em Amarante, António Mota era o único filho varão entre quatro irmãos e foi desde muito cedo preparado pelo pai -- que tinha apenas a quarta classe - para lhe suceder à frente da construtora que fundou em 1946.
Licenciou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), tendo passado as férias ao longo dos vários anos do curso em estágios nas diferentes obras que a Mota & Companhia tinha em curso.
Adepto do 'low profile', António Mota valorizava os fins de semana em família e a natureza familiar da construtora a que presidia, tendo a sua liderança ficado marcada por uma estratégia de diversificação da atividade do grupo, que apostou em novas áreas que vão desde as concessões rodoviárias às operações portuárias, resíduos, águas e logística.
Atualmente presente em 21 países e três continentes (Europa, África e América), a Mota-Engil tem como principais acionistas a 'holding' da família Mota (MGP), com 40,19% do capital, e a Epoch Capital Investments B.V., com 32,41%, e está cotada no PSI, principal índice da Euronext Lisboa.
A Mota-Engil registou, nos primeiros nove meses deste ano, lucros atribuíveis ao grupo de 92 milhões de euros, um aumento de 20% em termos homólogos, tendo o volume de negócios neste período atingido os 4.090 milhões de euros, uma queda de 1,4% face ao mesmo período do ano anterior.
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