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Qualidade da informação financeira descurada

Cerca de 20% não tem normas de responsabilização interna para a qualidade dos dados comerciais e financeiros divulgados, o que faz deste aspecto um calcanhar de Aquiles ético

Filipe S. Fernandes 09 de Julho de 2014 às 14:14

Numa entrevista ao Jornal de Negócios Paulo Morgado, administrador-delegado da Capgemini Portugal, chamava a atenção para as questões da consciência jurídica e dava um exemplo: "a partilha entre dois concorrentes de uma tabela de preços e a combinação, ainda que informal, de que vão praticar um determinado nível de preços, é algo que pode dar origem a pesadas multas por parte da União Europeia". Sublinhava que era essencial para a reputação das empresas que estas adoptassem medidas preventivas de forma a evitar "situações que possam pôr em causa a legitimidade da actuação da empresa". No entanto, nota-se que ainda há empresas que deixam estes assuntos em branco.


Apesar da sanção criminal e social de que é objecto a corrupção, há 20% de empresas que não têm qualquer política anticorrupção, segundo o inquérito Best Ethical Practices Awards. Além disso há uma pequena franja de empresas que não sentem que a organização necessite de regras respeitantes à forma como agir com clientes e fornecedores de modo a prevenir casos de suborno nem procedimento pré-definidos para escalar uma situação de suborno ou corrupção. Por outro lado, na categoria dos "conflitos de interesse" há algumas carências como se pode verificar pelos resultados do inquérito. Como este revela, 33,3% das empresas não têm mecanismos de fiscalização específica a pessoas em cargos com responsabilidade na negociação de contratos com clientes ou fornecedores e existem 24,2% que não têm políticas que garantam a segurança dos dados confidenciais da empresa e de clientes. Mesmo no que se refere a regras definidas quanto à utilização de activos empresariais para fins pessoais, há 12,1% que não têm.


Informação confidencial
A qualidade da informação financeira é um dos aspectos mais negativos neste inquérito. Pode-se dizer que é o calcanhar de Aquiles ético. Já houve casos (6,1%) de empresas consideradas culpadas num processo judicial referente à transparência e fidedignidade na divulgação da sua informação financeira. Há cerca de 20% de empresas que não têm normas de responsabilização interna para a qualidade dos dados comerciais e financeiros divulgados, 12,1% sem procedimentos internos que obriguem à publicação de dados financeiros e 6,1% sem procedimentos de controlo interno desenhado para atestar a informação financeira divulgada.


Quando às questões da informação privilegiada ou confidencial, existem casos de empresas ou de seus colaboradores condenadas judicialmente pelo uso indevido de informação privilegiada ou informação confidencial e só 63,6% das empresas têm procedimentos a seguir para a destruição de informação confidencial. 

 

 

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