Moeve avança com projeto de hidrogénio verde de 1.000 milhões na Andaluzia
A Moeve, grupo energético espanhol detido pela Mubadala (Emirados Árabes Unidos) e pela norte-americana Carlyle, com quem a Galp está a negociar uma possível junção dos negócios na área de postos de combustíveis e refinação, aprovou a decisão final de investimento para a primeira fase de um dos maiores projetos europeus de hidrogénio verde, num investimento superior a 1.000 milhões de euros na Andaluzia, avança esta segunda-feira o Financial Times.
De acordo com o jornal britânico, o conselho de administração da empresa — anteriormente conhecida como Cepsa — autorizou o arranque do projeto Andalusian Green Hydrogen Valley, que prevê a instalação de um eletrolisador com 300 megawatts (MW) de capacidade, apoiado por nova produção renovável solar e eólica.
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O projeto inclui mais de 300 milhões de euros em subsídios europeus e deverá iniciar produção em 2029, depois de a empresa ter assegurado recentemente ligação à rede elétrica espanhola, um dos principais entraves enfrentados por novos projetos industriais.
Segundo o Financial Times, a Moeve pretende expandir o complexo em fases posteriores até atingir 2 gigawatts (GW) de capacidade de eletrólise, posicionando-o como a maior unidade de hidrogénio renovável da Europa.
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A decisão surge num contexto desafiante para o hidrogénio verde. Nos últimos dois anos, mais de 50 projetos europeus foram adiados ou cancelados devido aos elevados custos de produção, à falta de infraestruturas e à procura ainda limitada, refere o Financial Times. O CEO da Moeve, Maarten Wetselaar, admitiu ao jornal que o setor atravessa um período de consolidação, mas defendeu que a lógica económica e climática da tecnologia permanece intacta. “A tendência é a transição energética. A ciência climática não mudou”, afirmou.
A empresa estima conseguir produzir hidrogénio verde por menos de 6 euros por quilo, cerca do dobro do custo do hidrogénio convencional produzido a partir de gás natural.
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Numa primeira fase, a produção será utilizada nas próprias refinarias da Moeve, embora a empresa admita no futuro comercializar certificados de hidrogénio verde junto de indústrias que necessitem de reduzir emissões.
O avanço do projeto surge num momento em que o Governo espanhol continua a promover o hidrogénio renovável como vetor central da descarbonização industrial.
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