EMER vai ser extinta, mas Governo reforça liderança para fecho do PRR
Ministra do Ambiente diz que estrutura criada para acelerar licenças nas renováveis será encerrada, mas justifica nomeação de novo presidente com exigências de reporting e auditorias europeias.
A Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER 2030) vai continuar ativa até ao final do ano para concluir o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apesar de o Governo reiterar que a entidade será extinta após cumprir a sua missão.
A ministra explicou que a recente nomeação de um novo presidente não representa um recuo na decisão política, mas responde a necessidades operacionais na fase final do PRR. “A EMER é PRR e vai ser extinta. Daí não há dúvidas”, afirmou, sublinhando que, apesar de o período de submissão de projetos terminar no verão, o programa implica ainda um volume significativo de relatórios, auditorias e respostas à Comissão Europeia até ao final do ano.
Nesse contexto, o Governo entendeu ser necessário preencher a liderança da estrutura para assegurar o fecho técnico e administrativo do PRR. “Há bastante trabalho de reporting e de organização”, disse a ministra, justificando a escolha de um responsável com capacidade para acompanhar o processo até ao encerramento formal.
A EMER encontrava-se sem liderança desde 1 de setembro, após a saída, a seu pedido, de Hugo Carvalho. Menos de três meses depois de Maria da Graça Carvalho ter afirmado que a estrutura seria extinta, o Executivo designou Manuel Branco Nery Nina como presidente, em comissão de serviço, através de despacho publicado em Diário da República. A decisão gerou críticas da oposição, que acusou o Governo de incoerência política.
Criada em março de 2024, ainda pelo anterior Governo, a EMER foi concebida para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis e cumprir as metas do Plano Nacional de Energia e Clima, alinhadas com o REPowerEU. A estrutura conta com cerca de 30 técnicos especializados, além do presidente e de três coordenadores, e tem mandato formal até 31 de dezembro de 2030, embora o Governo sustente que a sua existência está condicionada ao calendário do PRR.
Segundo a ministra, a nomeação agora feita visa exclusivamente garantir que Portugal fecha o PRR sem falhas que possam comprometer o acesso aos fundos europeus, mantendo-se a intenção de extinguir a EMER assim que esse processo esteja concluído.
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