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Organização ambiental deteta fugas de metano em 123 locais na Europa

Foram registadas 271 ocorrências em 123 infraestruturas em vários países da Europa, incluindo Áustria, Alemanha e Itália. Algumas das emissões são intencionais e conhecidas, mas também permitidas face à falta de legislação.

Se os preços subirem muito, o consumo pode diminuir e a capacidade de armazenamento pode ficar comprometida.
Nick Oxford
João Ruas Marques 24 de Junho de 2021 às 12:35
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A Clean Air Task Force (CATF), uma organização dedicada à identificação e resolução de problemas ambientais, chegou à conclusão de que, pelo menos, 123 infraestruturas petrolíferas e de gás por toda a Europa estão a deixar escapar metano para a atmosfera através de fugas ou descargas, algumas intencionais.

A notícia está a ser avançada pela Reuters que descreve o processo aplicado pela CATF, que ao utilizar uma potente câmara de infravermelhos conseguiu identificar fugas em infraestruturas na Republica Checa, Itália, Hungria, Polónia, Roménia, Áustria e Alemanha. Ao todo foram identificadas 271 ocorrências, já que alguns dos locais apresentavam mais do que uma fuga.

O metano é o segundo maior impulsionador das alterações climáticas a seguir ao dióxido de carbono e é 80 vezes mais perigoso durante os 20 primeiros anos em que é libertado para a atmosfera. É também o principal componente do gás natural utilizado no contexto doméstico.

Acontece que estas descargas, muitas vezes intencionais, são legais na União Europeia, que não regula as emissões do gás no setor da energia. E ainda que alguns regulamentos nacionais obriguem estas empresas a reportar alguns tipos de emissão deste gás, pequenas fugas não estão abrangidas.

Legislação vai ser alterada

No setor energético, as emissões de metano são comuns através da ventilação dos espaços ou, não intencionalmente, de fugas em tanques de armazenagem, terminais de gás natural liquefeito, estações compressoras de oleodutos e locais de processamento de gás.

Mas isso deve mudar brevemente. A UE está a estudar propostas de lei que obriguem as empresas do setor da energia a monitorizar e reportar todas as emissões de metano para a atmosfera, bem como a melhorar os sistemas de deteção e a reparar fugas.

A intenção de implementar leis nesse sentido foi anunciada em dezembro pela Comissão Europeia. Um representante do órgão europeu disse à Reuters que uma vez que existem poucos grandes emissores de metano na UE, a legislação deve concentrar-se sobretudo em corrigir emissões pequenas mas muito mais frequentes.

À UE devem juntar-se os Estados Unidos que, através da administração liderada por Joe Biden, anunciaram já planos para implementar regras que levem á redução as emissões de metano.

James Turitto, o membro da CATF que filmou as emissões, explica que "se ainda temos qualquer esperança de alcançar um aumento das temperaturas globais  na ordem dos 1,5 graus celsius temos que parar estas fugas".

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