Lucros da Corticeira Amorim caem para 55 milhões e vendas perdem 78 milhões
A líder mundial da cortiça fechou o exercício de 2025 com um resultado líquido inferior em 20% ao registado no ano anterior, com as vendas a caírem 8,3% para 861 milhões de euros e o EBITDA a recuar 10,5%. Mesmo assim, o “board” propõe aumentar o dividendo.
Desde 2022, quando ultrapassou a cifra de 1.000 milhões de euros de faturação, tem sido sempre a descer.
A Corticeira Amorim perdeu vendas de 36 milhões de euros em 2023, tendo recuado 46,5 milhões no ano seguinte e 78,1 milhões no último exercício, para 861 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição homóloga de 8,3%.
Já a quebra dos lucros da líder mundial da cortiça teve uma evolução ainda mais pronunciada neste período: o resultado líquido caiu 20,3% em 2025 para 55,6 milhões de euros, depois de ter caído outro tanto no ano anterior, que se seguiu a um decréscimo de quase 10% registado no exercício precedente face aos quase 100 milhões de euros obtidos em 2022.
“A atividade da Corticeira Amorim em 2025 foi condicionada por um contexto de elevada incerteza, marcado por tensões geopolíticas e por transformações significativas no comércio internacional, num ambiente de transformação dos hábitos de consumo de álcool que impõe pressões adicionais sobre o setor vitivinícola”, explica o presidente da empresa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
“A reduzida previsibilidade e a contração da procura levaram os nossos clientes a adotar políticas de compra mais conservadoras e a implementar planos de redução de custos, tendências que se intensificaram ao longo do ano”, assinala António Rios de Amorim.
Desafios que, sublinha, “exigiram uma elevada capacidade de adaptação, priorizando-se a proteção da rentabilidade e a redução do nível de endividamento”, realçando que a Corticeira Amorim continua “a implementar iniciativas orientadas para a melhoria da eficiência operacional e para a otimização da estrutura de custos”.
Simultaneamente, a adoção do novo modelo organizativo da Amorim Cork Solutions “produziu benefícios claros, promovendo a integração das operações do negócio ‘não rolha’ numa única unidade de negócio, posicionando-a como um relevante ‘driver’ de crescimento a prazo da Corticeira Amorim”, afiança o presidente e acionista da líder do setor.
Vai continuar às compras após cortar a dívida em 120 milhões
A retração das vendas “reflete pressões sobre os volumes e ‘mix’ de produto decorrentes de um contexto de mercado desafiante, que afetou todas as unidades de negócio”, refere a Corticeira Amorim, destacando que a Amorim Cork Solutions registou um decréscimo de vendas de 24%, “penalizadas por menores níveis de atividade, particularmente no segmento de pavimentos, e pelo impacto da alteração do perímetro de consolidação acima referido”.
Excluindo este efeito, o decréscimo das vendas teria sido de 11,4%, afiança.
O EBITDA consolidado atingiu 141 milhões de euros, valor inferior em 10,5% face aos 157,6 milhões registados no ano anterior.
“A rentabilidade foi condicionada pelo ‘mix’ de produto e pela retração dos volumes, cujos efeitos foram parcialmente mitigados pela melhoria do preço de consumo de cortiça, pela melhor qualidade dos lotes trabalhados, pelas eficiências operacionais e pelas iniciativas de redução de custos implementadas”, elenca.
Já a margem EBITDA cifrou-se em 16,4%, ligeiramente abaixo dos 16,8% registada em 2024.
Pela positiva, o grande destaque vai para a significativa diminuição da dívida remunerada líquida, que recuou para 75,9 milhões de euros no final de dezembro passado.
“Apesar do pagamento de dividendos (42,6 milhões de euros) e do investimento em ativo fixo (42,8 milhões), a forte geração de fluxos de caixa (175,9 milhões) suportou a redução da dívida líquida em 119,8 milhões de euros face ao ano anterior (195,7 milhões)”, enfatiza a Corticeira Amorim.
Sobre 2026, Rios de Amorim afirma que a Corticeira encara “o ano que agora começa com prudência, conscientes de que o contexto externo permanece desafiante”.
“Acreditamos que a sólida posição financeira da Corticeira Amorim permitirá enfrentar os desafios, aproveitando oportunidades de consolidação de mercados e de diferenciação através de iniciativas estruturais orientadas para competitividade, inovação e sustentabilidade, assegurando a criação de valor a longo prazo”, remata, sinalizando que a empresa continua ativa na frente aquisitiva.
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