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Novo Banco põe rei dos cogumelos 24 horas à espera da salvação

A 24 horas do final do prazo de votação, já só falta a luz verde do maior credor para ser aprovado o plano de viabilização do líder ibérico de cogumelos, que contempla um perdão de dívida superior a 50 milhões de euros.

Falência do BES acabou por afundar o grupo fundado por Artur Sousa.
A falência do BES, em 2014, acabou por afundar o grupo fundado por Artur Sousa. DR
Rui Neves ruineves@negocios.pt 12 de Março de 2020 às 21:27
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Os credores Crédito Agrícola e Instituto de Financiamento da Agricultura e Pesca (IFAP), cujos votos representam 45,5% dos créditos do grupo Sousacamp, já deram o seu ok ao plano de viabilização do maior produtor ibérico de cogumelos.

 

Com o prazo de votação a decorrer até ao final do dia desta sexta-feira, 13 de março, falta apenas saber o sentido de voto do maior credor, o Novo Banco, que representa 49% dos créditos que estiveram representados na última assembleia de credores da Varandas de Sousa, braço industrial do grupo Sousacamp, na dia 3 de março, que decidiu dar 10 dias para que o documento seja votado por escrito.

 

Contactado pelo Negócios, o administrador de insolvência do grupo Sousacamp confirmou "que o crédito Agrícola e o IFAP votaram favoravelmente, pelo que falta apenas o voto do Novo Banco" para assegurar a salvação deste grupo industrial, da qual "estão dependentes cerca de 400 postos de trabalho", sublinhou Bruno Costa Pereira.

 

O plano de viabilização em votação determina um perdão superior a 50 milhões da dívida de 70 milhões de euros, com o novo investidor, a capital de risco Core Capital, a assumir apenas 14,3 milhões de euros de créditos do Novo Banco e do Crédito Agrícola, assim como as dívidas ao Fisco (2,4 milhões de euros) e à Segurança Social (881 mil euros).

 

Entretanto, mesmo que o Novo Banco vote favoravelmente o plano, a homologação deste pelo tribunal ficará ainda dependente da aprovação de duas condições suspensivas, que terão que ser firmadas até 2 de abril.

 

Em causa está o acordo entre o Novo Banco, a massa insolvente, o novo investidor e o IFAP para suspender a garantia bancária prestada a esta entidade pública, no valor de 5,2 milhões de euros, por conta do financiamento de 17 milhões de euros de um projeto que parou a meio.

A outra condição para a viabilização do grupo Sousacamp passa pelo fecho das negociações para a venda dos créditos do Novo Banco e do Crédito Agrícola à Core Capital.

 

O plano de recuperação em votação prevê, também, um investimento de 13 milhões de euros nas fábricas de Benlhevai (Vila Flor) e Vila Real, a realizar pelo novo investidor, assim como a dispensa de cerca de 90 dos atuais 450 trabalhadores, efetivo entretanto reduzido para 430 face à saída de 20 por comum acordo, de acordo com a informação prestada pelo administrador de insolvência da empresa.

 

Prevendo para este ano uma faturação a rondar os 17 milhões de euros, mais três milhões do que no ano passado, o plano de recuperação da Sousacamp projeta chegar aos 26 milhões de euros dentro de cinco anos.

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