Tecnologias Irmãos russos ficam bilionários a criar jogos para smartphones

Irmãos russos ficam bilionários a criar jogos para smartphones

Os irmãos Bukhman criaram o primeiro jogo foi criado durante umas férias de verão, que gerou 60 dólares no primeiro mês e 100 dólares por mês nos meses seguintes. Em 2004, a receita mensal chegou a 10.000 dólares.
Bloomberg 01 de maio de 2019 às 11:00

Há quase duas décadas, numa longínqua cidade da Rússia conhecida pela produção de manteiga e tecido, dois irmãos dividiam um quarto e um computador com processador Pentium 100, que usaram para programar o seu primeiro jogo.

 

Agora, Wall Street quer um bocado do que os dois construíram.

 

A Playrix teve reuniões com os maiores bancos e "visitou os seus arranha-céus", conta Dmitry Bukhman, de 34 anos, citando encontros no Goldman Sachs Group e Bank of America. Mas, por agora, "nós estamos focados em expandir o negócio".

 

Dmitry e Igor Bukhman, de 37 anos, são as cabeças que movem a Playrix Holding, que desenvolve jogos parecidos com o Candy Crush, tais como o Fishdom e o Gardenscapes. Jogos que têm mais de 30 milhões de utilizadores diários em todo o mundo e faturam anualmente cerca de 1,2 mil milhões de dólares, segundo a Newzoo. A empresa está entre as 10 maiores que desenvolvem aplicações disponíveis nas lojas iOS e Google Play em termos de receita, de acordo com dados da AppAnnie.

 

Hoje, cada irmão é dono de uma fortuna avaliada em 1,4 mil milhões de dólares, segundo o Bloomberg Billionaires Index. É a primeira vez que aparecem num ranking de fortunas mundiais.

 

A jornada começou em 2001 em Vologda, localizada a 483 quilómetros a norte de Moscovo. Um professor universitário contou a Igor que este podia vender software pela internet. Igor dispôs-se a fazer isso com a ajuda de Dmitry, que ainda andava no ensino secundário.

 

"Nós não tínhamos experiência, não percebíamos nada de negócios —só pensávamos em criar jogos", lembra Igor.

 

O maior mercado da Playrix é o dos EUA, seguido da China e do Japão, revelaram os irmãos durante uma entrevista realizada em Tel Aviv, onde moram parte do tempo. Os dois gerem 1.100 funcionários remotamente, incluindo pessoal na sede na Irlanda e programadores na Rússia, Ucrânia e Belarus.

 

O primeiro jogo foi criado durante as férias de verão e gerou 60 dólares no primeiro mês e 100 dólares por mês nos meses seguintes. Era metade do salário médio em Vologda.

 

Em 2004, quando a receita mensal chegou a 10.000 dólares, os dois registaram a empresa, alugaram o porão de uma livraria e contrataram pessoas para acelerar a produção.

 

Nos primeiros anos, vendiam jogos em sites como o majorgeeks.com e o download.com e depois migraram para plataformas maiores, como a Yahoo! e a AOL. Na última década, os jogos começaram a migrar para o Facebook e então para os smartphones.

 

A maior parte da receita da Playrix vem de compras dentro das aplicações. Os irmãos preferem não veicular anúncios para não prejudicar a experiência do utilizador. "Foi um grande desafio para nós passar a desenvolver jogos gratuitos — é um DNA totalmente diferente", disse Dmitry. "Com jogos gratuitos, nós não desenvolvemos, lançamos e depois passamos para outro. São serviços que precisam de apoio constante porque os utilizadores esperam atualizações regulares."

 

A Playrix teve sucesso nesta transição, conquistando reconhecimento mundial nos últimos três anos com o Gardenscapes e a sua sequência, o Homescapes. Neste último, o jogador supera fases e percorre um roteiro animado, ajudando um mordomo chamado Austin a reformar uma casa com jardim.

 

"São como aplicações, como o Spotify — as pessoas podem usá-los durante anos", explicaram. "Porque não pagar 5 dólares pelo prazer de jogar um jogo no telemóvel em vez de assistir vídeos ou ouvir música?"

 

Nos EUA, os utilizadores pagantes gastam, em média, 32 dólares por mês no Homescapes, o jogo mais popular da Playrix.

 

Não existe um preço mágico que convenceria os Bukhman a vender a empresa porque o dinheiro importa menos do que fazer algo que amam.

 

"Alguns podem pensar que, quando se tem muito dinheiro, tudo fica diferente e mais interessante e pode-se fazer outras coisas", afirmou Dmitry. "Mas não, nós apenas continuamos a trabalhar."

 

(Texto original: Billionaire Brothers Crush It With Gaming Powerhouse Playrix)




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