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Michael Dell: O homem dos computadores que lavava pratos para comprar selos

Tem 50 anos e aos 19, com um investimento de mil dólares, criou uma empresa que vale hoje milhares de milhões. Já a teve em bolsa, mas retirou-a. Prefere investir no futuro, sem a pressão dos investidores nos resultados de curto prazo. Michael Dell é um dos homens mais ricos do mundo.

Bloomberg
17 de Outubro de 2015 às 10:00

"Sempre soube que queria um dia gerir uma empresa", diz muitas vezes Michael Dell. E não só o fez, como o fez com êxito.

Nasceu a 23 de Fevereiro de 1965 em Houston, no Texas, e desde cedo demonstrou interesse pelos negócios e pela tecnologia. A mãe, Lorraine D., era consultora financeira e corretora na bolsa, e o pai Alexander, era ortodontista. E Michael compreendeu desde jovem o significado de "oportunidade de negócio", uma vez que a sua mãe debatia frequentemente, durante o jantar, assuntos económicos e empresariais.

Do signo peixes, sempre foi esforçado e activo. Aos 12 anos já lavava pratos num restaurante chinês para poder juntar dinheiro para a sua colecção de selos. Quando começou a coleccioná-los, percebeu que os preços estavam a subir e reconheceu imediatamente uma oportunidade de negócio. Concluiu então que a maneira mais lucrativa de vender selos seria contornar as leiloeiras e vender directamente a coleccionadores. Compilou um catálogo com 12 páginas, com selos seus e de um amigo, e colocou um anúncio numa revista de filatelia. Foi o seu primeiro negócio e rendeu-lhe 2.000 dólares, diz a Encyclopedia.com. Quase em paralelo, começou também a vender cartões de jogadores de baseball, arrecadando mais alguns fundos.

No início da adolescência já usava esse dinheiro que ganhava com empregos em part-time e com os seus negócios para investir em acções e metais preciosos, relata a Achievement.org.

Aos 15 anos comprou um computador da Apple e desmantelou-o para ver como funcionava. No ano seguinte, em 1981, comprou um IBM e aprendeu como fazer upgrades e adicionar novos componentes. Com a visão de que os computadores compatíveis com a IBM seriam a sua escolha de negócio, começou posteriormente a comprar, melhorar e revender computadores pessoais a amigos e conhecidos, comprando componentes a preços de saldo aos distribuidores.

Mas voltemos atrás. Ainda na secundária, começou a angariar assinantes para o já defunto Houston Post. A ineficiência dos telefonemas para captar assinantes para o jornal levou Dell a procurar outros métodos – que se revelaram acertados. Determinou que as pessoas com mais probabilidade de subscreverem a assinatura do jornal seriam recém-casados e recém-chegados à cidade. Conseguiu uma lista de requerentes de certidões de casamento e de candidatos à compra de casa e depois enviava cartas às pessoas dessa lista a propor a assinatura anual do jornal. Só no primeiro ano, ganhou 18.000 dólares.

Com o dinheiro que arrecadou, comprou o seu primeiro BMW. Era altura de seguir para a universidade, pois o sonho dos seus pais era que fosse médico. Para agradar ao pai e à mãe, entrou na Universidade do Texas em 1983, mas o seu verdadeiro interesse continuou a estar centrado na informática e nos gadgets. No banco de trás do seu carro levava sempre três computadores, que eram já as sementes da PC’s Limited e da Dell Computer Corporation.

Diz a Biography.com que Michael Dell ajudou a lançar na década de 1980 aquela que é conhecida como a revolução dos computadores pessoais, com a criação da Dell Computer Corporation (agora conhecida como Dell Inc.) – que começou no seu quarto da residência estudantil na Universidade do Texas e rapidamente se transformou na empresa de computadores que desafiou titãs como a Hewlett-Packard, Compaq e IBM.

Mas como foram dados esses passos? O mundo da venda de computadores pessoais estava ainda na fase da juventude e Dell percebeu que nenhuma empresa tinha ainda tentado vender directamente aos clientes. Contornando os intermediários, Dell retirou 1.000 dólares da sua conta-poupança e começou a construir e a vender computadores pessoais aos colegas de faculdade. Percebeu que podia comprar as componentes e montar todo o PC sozinho, o que ficava mais barato. A sua focalização tinha três direcções: boas máquinas, sólido apoio técnico ao cliente e preços mais baixos.

No primeiro semestre na universidade, dedicou então o seu tempo livre a comprar computadores pessoais obsoletos, a preços de saldo. Depois fazia-lhes um upgrade e vendia-os aos colegas, conta a Entrepreneur.

Foi pois na universidade que encontrou o nicho que havia de fazer florescer o seu projecto, mas rapidamente a sua clientela se estendeu para fora do campus. Dell começou a vender cada computador directamente pelo telefone [o habitual era via distribuidores e retalhistas] aos clientes que iam surgindo, com um desconto de 15% face às marcas já estabelecidas, relata a Entrepreneur. Esta técnica, que veio a ser conhecida como "modelo de venda directa", revolucionou o sector.

Os pais ficaram bastante descontentes quando Dell lhes disse que queria deixar a universidade e montar o seu negócio. Por isso, para os apaziguar, concordou em regressar se as vendas de Verão fossem decepcionantes. No seu primeiro mês de negócio, vendeu o equivalente a 180.000 dólares em PC. Nunca mais regressou aos estudos.

Michael Dell: O homem dos computadores que lavava pratos para comprar selos

"Michael Dell desafiou o conceito convencional de que os consumidores não comprariam equipamentos informáticos por telefone e criou uma empresa de milhares de milhões de dólares a fazer precisamente isso", salienta a Encyclopedia.com.

Mudou posteriormente o nome da empresa para Dell Computer Corp., em 1987. As vendas continuaram a aumentar, chegando aos 159 milhões de dólares em 1988. Nesse mesmo ano, Dell colocou a empresa em bolsa, numa oferta pública inicial (IPO) que lhe valeu 30 milhões de dólares.

Em 2004 demitiu-se da presidência executiva da sua empresa, mantendo-se como "chairman". Mas deixou de segurar as rédeas da Dell por pouco tempo. Regressou em 2007 ao cargo de CEO, quando Kevin Rollins se demitiu devido aos maus resultados, e reergueu a empresa – não sem antes ter passado por uma reestruturação que o levou a cortar custos e, consequentemente, postos de trabalho.

Para Dell, a focalização no cliente significa baixo preço por um serviço excelente. E é por isso que quando entra em qualquer novo produto de mercado ou geografia, provoca uma queda dos preços – um processo que recebeu o nome de "Efeito Dell".

Em 2010, a Dell Inc. contava com subsidiárias em 77 países, sublinhava na altura a Mother Jones. Agora, acrescenta a Askmen, tem mais de 33.000 funcionários em mais de 170 países e territórios de todo o mundo.

25 anos depois de a tornar pública (cotada), tirou a empresa de bolsa. Foi em Outubro de 2013, num negócio avaliado em 24,4 mil milhões de dólares, após uma longa batalha com o investidor Carl Icahn, que estava contra essa decisão e que queria Michael fora da empresa. Dell insistiu - e levou a melhor - que era o passo necessário para a sobrevivência da empresa, depois de ter passado por um mau bocado, com uma forte quebra das vendas e dos lucros. Além disso, as acções da empresa estavam a ter um fraco desempenho na bolsa electrónica Nasdaq, o que frustrou o seu CEO.

Michael Dell, a empresa de capitais privados Silver Lake, a Microsoft e um grupo de bancos conseguiram assim o dinheiro necessário para a retirada de bolsa e há dois anos que as acções da Dell não são negociadas nem trocadas de mãos diariamente nos mercados.

"O mercado incentiva as empresas cotadas a não fazerem investimentos em novas áreas", comentou na altura, justificando assim a necessidade de "fechar" a Dell Computer Corp. E reforçou a ideia num artigo de opinião que escreveu para o The Wall Street Journal: "Acabaram-se os cortes de investimento em Investigação & Desenvolvimento e no crescimento devido à fixação nos resultados trimestrais. Acabou-se o pequeno grupo de investidores que comprometia a percepção pública da nossa estratégia. Estamos agora plenamente concentrados em criar tendo em vista o futuro [e não os resultados de curto prazo]".

Terá sido a decisão certa? "Dell diz que isso dará à empresa mais tempo, investimento e paciência", sublinhou na ocasião a The Economist. E, com efeito, deu. O que se seguiu foi uma reinvenção da empresa, que embarcou numa missão de diversificação que a levou até aos centros de dados, computação na nuvem, servidores, software, serviços, segurança e gestão de sistemas, conta o USA Today.

Agora, em Outubro de 2015, Dell e a Silver Lake compraram a fornecedora de armazenamento de dados informáticos EMC por 67 mil milhões de dólares. Uma das maiores compras na história do sector tecnológico e que mantém a Dell na crista da onda.

O livro, a mulher, os filhos e a filantropia

Em 1999 publicou uma autobiografia, "Direct from Dell: Strategies That Revolutionized an Industry", onde conta como transformou o seu investimento de mil dólares na maior fabricante mundial de PC e que vale actualmente em torno de 100 mil milhões de dólares.

É casado, desde 1989, com a estilista Susan Lieberman, com quem tem quatro filhos: Kira, Juliette, Alexa e Zachary. Tido com um homem tímido, Susan é vista como a responsável pela sua mudança. "Fê-lo sair da sua concha", diz a Business Insider. Mantém, contudo, um estilo reservado, dando grande importância à sua privacidade.

Dedicados à filantropia, dez anos depois de se casarem criaram a Fundação Michael e Susan Dell, que tem doado milhões de dólares a causas e pessoas, como aconteceu com as vítimas do tsunami no Sudeste Asiático.

Mas apesar de consagrar parte da sua fortuna à caridade, como Warren Buffett ou o casal Bill e Melinda Gates, o seu estilo de vida não é tão frugal. O casal tem inúmeras casas (a de Austin [no Texas] é alcunhada de "O Castelo", não só pela sua extensão, mas também pela forte presença de seguranças), carros (entre os quais um Porsche Boxster de 2004 e um Carrera GT) e mesmo dois aviões.

Em 1992, oito anos depois de ter fundado a sua empresa, Michael Dell, então com 27 anos, era o mais jovem presidente executivo de uma empresa do ranking Fortune 500.

Hoje, está na 23ª posição da lista da Forbes dos 400 mais ricos do mundo, com um património avaliado em 19,4 mil milhões de dólares.

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