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Portugal desafia EUA e China no fabrico de semicondutores

Um grupo de 14 países europeus, entre os quais Portugal, vai juntar esforços e investimento público e privado para reduzir a dependência nesta indústria que envolve setores como automóvel, dispositivos médicos ou telemóveis.

Reuters
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 07 de Dezembro de 2020 às 15:17
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Avaliado em 440 mil milhões de euros, o mercado global dos semicondutores é atualmente dominado pelos Estados Unidos da América e por alguns países asiáticos, com destaque para a China. A Europa, que detém uma fatia de apenas 10% neste setor de atividade, vai começar a montar uma estratégia para reduzir a dependência dos fabricantes extracomunitários.

 

Portugal está num grupo de 14 países europeus que decidiram juntar esforços para investir neste tipo de tecnologias que são essenciais para o funcionamento de dispositivos conectados através da Internet e para o processamento de dados, envolvendo áreas tão distintas como o automóvel, os equipamentos médicos, os telemóveis ou a monitorização ambiental.

 

Alemanha, Bélgica, Croácia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos e Roménia são os outros participantes. Num comunicado conjunto assinado pelo ministro Pedro Nuno Santos, citado pela Reuters, prometem fazer um "esforço coletivo para reunir investimento e coordenar ações" que fortaleçam a cadeia de valor europeia nesta área dos sistemas integrados e eletrónicos.

 

Os chips de processamento avançado desempenham um papel que nunca foi tão importante para a estratégia industrial da Europa e para a sua soberania digital. Thierry Breton, comissário europeu do mercado interno e serviços

 

No âmbito do pacote de recuperação económica motivado pelo coronavírus – que demonstrou a insuficiência europeia também nesta área relacionada com os chips –, um em cada cinco euros do plano acordado de 145 mil milhões são destinados a projetos digitais. Mas estes países querem também envolver os privados, desafiando as empresas a formar alianças industriais para investigar e investir na conceção e fabrico de processadores, assim como na busca de financiamento para estes projetos.

 



"Uma abordagem coletiva pode ajudar-nos a alavancar os nossos atuais pontos fortes e a abraçar novas oportunidades, uma vez que os chips de processamento avançado desempenham um papel que nunca foi tão importante para a estratégia industrial da Europa e para a sua soberania digital", sublinhou Thierry Breton, o comissário europeu que tutela as pastas do mercado interno e dos serviços, ex-ministro francês da Economia e CEO da tecnológica ATOS.

 

A China está também a investir em força nos semicondutores para combater os EUA. Em setembro, o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou um plano de investimento de 1,4 mil milhões de dólares (1,15 mil milhões de euros) até 2025 em tecnologias que vão desde as redes wireless à inteligência artificial, prevendo largos apoios para a terceira geração de semicondutores que deverão chegar à indústria em cinco anos.
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