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Guerra dos EUA contra Huawei começa a dar resultado na Europa

A pressão dos EUA continuou a aumentar, e tanto governos europeus como operadoras tiveram que escolher entre duas potências mundiais.

10.º Huawei: 65,08 mil milhões de dólares
Hannibal Hanschke/Reuters
Bloomberg 11 de Julho de 2020 às 20:00
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A Huawei Technologies passou de fornecedora base de redes móveis do Reino Unido e França para, possivelmente, ser banida. A resistência inicial e compromissos de países europeus começam a ceder após a campanha implacável da Casa Branca.

Ambos os países indicaram nesta semana que têm tomado medidas para reduzir a dependência da empresa chinesa. O Reino Unido considera reduzir o uso de equipamentos da Huawei já a partir deste ano, e a ANSSI, agência francesa de segurança cibernética, planeia impor um sistema de isenção que provavelmente limitará muito a utilização dos produtos da empresa.

Há um ano, o cenário parecia muito mais otimista para a empresa chinesa. O comité de inteligência e segurança do Reino Unido havia dito em julho de 2019 que barrar a Huawei tornaria as redes menos resistentes a ataques maliciosos. O raciocínio do comité era que a medida reduziria a concorrência e deixaria o Reino Unido dependente de apenas dois fornecedores, Nokia e Ericsson.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, tentou fechar um compromisso em janeiro, permitindo que as operadoras usassem equipamentos da Huawei para instalar os seus sistemas 5G, desde que respeitassem o limite de 35% e concordassem em não usá-los em núcleos sensíveis da rede.

Mas a pressão dos EUA continuou a aumentar, e tanto governos europeus como operadoras tiveram que escolher entre duas potências mundiais. O governo do presidente Donald Trump recorreu às sanções, tornando cada vez mais difícil para operadoras europeias acederem a produtos da maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações.

"O crescimento dos gastos de P&D da Huawei tem acelerado recentemente", disse Neil Campling, analista da Mirabaud Securities. "Os seus avanços em relação aos pares ocidentais são significativos e, portanto, os EUA estão a usar tudo o que podem com o seu poder político - sejam sanções comerciais, acordos oficiais, acordos não oficiais - para tentar refriar o avanço da China."

A Huawei tem negado consistentemente que represente um risco à segurança e afirma que opera independentemente do governo chinês. O porta-voz da Huawei, Paul Harrison, argumentou no Twitter que os EUA estão a condicionar injustamente a política do Reino Unido com sanções e que ameaçam o lançamento do 5G no país.

Ainda há mercados europeus a serem disputados. O governo alemão enfrenta dificuldades para estabelecer regras que exijam certificação de segurança para fornecedores da rede 5G. As autoridades chinesas destacaram as fabricantes alemãs - a jóia da coroa da maior economia da Europa - como alvo potencial de retaliação se a Huawei fosse banida dos seus mercados.

O golpe certeiro para as relações da Huawei com a Europa pode ter ocorrido em maio, quando os EUA proibiram a empresa de adquirir microchips que usam tecnologia americana.

A prevalência de chips que são fabricados com tecnologia americana ou a incorporam levou Pierre Ferragu, analista da New Street Research, a dizer em maio que "a Huawei tem 12 meses para sobreviver".

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