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SpaceX cria empresa em Portugal para vender internet via satélite

A empresa liderada por Elon Musk garantiu à Anacom que vai iniciar até junho a comercialização da internet espacial. Prevê ter capacidade para fornecer 50 mil acessos em Portugal e chegar a 16 mil utilizadores em 2021.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 05 de Abril de 2021 às 15:29
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O território português já está coberto a 100% pela rede de satélites colocados em órbita pela americana SpaceX, que já fez saber à Anacom – Autoridade Nacional de Comunicações que até junho de 2021 quer dar início à comercialização em Portugal dos seus serviços de acesso à internet de banda larga via satélite.

 

A companhia aeroespacial liderada por Elon Musk, que é também CEO da fabricante de veículos elétricos Tesla, já constituiu em março a empresa Space Exploration Technologies Portugal – SXPT, com sede no escritório lisboeta da BDO. Estima ter capacidade para fornecer o acesso à internet a 50 mil utilizadores em Portugal, prevendo atingir os 16 mil utilizadores até ao final deste ano.

 

Estes números foram adiantados pelo diretor do departamento de "Global Satellite Government Affairs" da SpaceX, Matt Botwin, numa reunião por videoconferência realizada no mês passado com o presidente da ANACOM, João Cadete de Matos. Na agenda estiveram "matérias relacionadas com o desenvolvimento da constelação de satélites ‘Starlink’ para fornecimento de acesso à internet".

 

1.200Acessos
A internet via satélite atingiu 1.200 acessos no final de 2020, um número reduzido mas que representou um crescimento de 32,4% face a 2019.

 

A Starlink (marca comercial) estava "em fase de testes" no final do primeiro trimestre de 2021, segundo a informação divulgada pela Anacom esta segunda-feira, 5 de abril. E que identifica outros seis prestadores que já anunciam na internet e comercializam ofertas retalhistas de serviço de acesso à Internet via satélite em Portugal: Konnect, Tooway, Onesat, Bigblu, SkyDSL e Vivasat.

 

Subscritores disparam em Portugal O serviço via satélite atualmente disponível em Portugal está "especialmente vocacionado para o acesso à internet em zonas remotas, de baixa densidade populacional e/ou de orografia mais complexa". No entanto, apesar de descrever uma "reduzida penetração" deste serviço em Portugal, a Anacom assinala que o número de subscritores cresceu 78,5% entre o 4.º trimestre de 2018 e o 3.º trimestre de 2020. Um relatório publicado esta segunda-feira mostra que "a Internet via satélite atingiu 1.200 acessos no final de 2020, o que representa menos de 0,3% do total de acessos em local fixo, mas traduz um crescimento de 32,4% face a 2019". E entre abril e junho do ano passado, na sequência da declaração de pandemia e do estado de emergência no país, "o serviço registou o maior aumento em termos absolutos até ao momento".

 

A SpaceX colocou os primeiros satélites "Starlink" em órbita em 2019, tendo já contabilizado que esta rede irá receber ao todo uma constelação de 11.943 satélites, acreditando que serão suficientes para fornecer internet de banda larga transmitida do espaço em qualquer ponto do planeta.

 

Elon Musk, que ultrapassou Jeff Bezos (Amazon) no Índice de Multimilionários da Bloomberg, já garantiu que a Starlink vai cobrir a "maior parte da Terra" antes do final do ano e todo o planeta em 2022 e confirmou também que até dezembro os valores de latência vão baixar 20 milissegundos e que a velocidade de acesso à Internet vai duplicar para 300 Mbps, o que compara com acessos que não ultrapassam os 150 Mbps na atual versão "beta".

 

Na altura em que esta rede de internet foi ativada, em novembro de 2020, o custo da assinatura mensal foi fixado em 99 dólares (cerca de 84 euros), sendo que os utilizadores vão precisar igualmente de realizar um pagamento único inicial de 499 dólares (424 euros) para o hardware, que inclui um tripé de montagem e um router de wi-fi.

 

Receita para estar em Marte e na Lua

 

A SpaceX completou em fevereiro um financiamento de 850 milhões de dólares (721 milhões de euros), que lhe conferiu uma avaliação de cerca de 74 mil milhões de dólares (62,8 mil milhões de euros). Este aumento de capitalização representou um salto de 60% quando comparado com o agosto de 2020, quando noutra angariação a empresa de exploração espacial atingiu uma avaliação de 46 mil milhões de dólares (39 mil milhões de euros).

A SpaceX vê este serviço de banda larga como "uma forma de gerar receita que pode ser usada para desenvolver foguetões e naves espaciais mais avançados", tendo Musk chegado a referir que os ganhos poderiam totalizar os 30 mil milhões de dólares por ano. "Acreditamos que é um passo fundamental no caminho para estabelecer uma cidade autosustentável em Marte e uma base na Lua", frisou o magnata.

E este serviço da SpaceX não se deve destinar apenas aos consumidores finais, tendo a empresa aeroespacial estabelecido parcerias com clientes de diversas áreas e diferentes regiões. Entre eles está a Divisão de Emergências de Washington, que comunicou no outono de 2020 que o serviço Starlink ajudou os socorristas a reconstruir a cidade de Malden após um incêndio.

Estima-se que oferta de Internet via satélite se venha a tornar, nas próximas décadas, um dos grandes negócios do ‘New Space baseado em megaconstelações, passando a representar a maior fatia das receitas geradas. Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom)



Numa nota divulgada esta segunda-feira, 5 de abril, a Anacom aponta que o acesso à Internet via satélite "afigura-se como um meio essencial para reduzir a fratura digital", além de ser importante nos setores da aviação e do transporte marítimo e de ser um dos elementos das telecomunicações de emergência, possibilitando a deteção, alerta e resposta em situações de catástrofe natural em que as redes fixas e móveis deixam de estar disponíveis.


A entidade reguladora estima que a oferta de Internet via satélite "se venha a tornar, nas próximas décadas, um dos grandes negócios do ‘New Space’ baseado em megaconstelações, passando a representar a maior fatia das receitas geradas". Em 2020 foram lançados cerca de 1.085 pequenos satélites, dos quais 773 pertencem à rede Starlink da SpaceX.
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