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Aviões da Boeing que se despenharam foram "desenhados por palhaços" que eram "supervisionados por macacos"

A Boeing revelou mensagens comprometedoras trocadas pelos respetivos colaboradores acerca do avião construído pela empresa e que deu origem a dois incidentes fatais.

Reuters
Negócios jng@negocios.pt 10 de Janeiro de 2020 às 08:52
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A Boeing divulgou mensagens trocadas pelos seus trabalhadores que mostram os mesmos a gabarem-se de ter pressionado os reguladores para a aprovação do 737 Max, o modelo de aeronave que já protagonizou dois acidentes fatais. Outros levantaram questões quanto à segurança e denunciaram os padrões pouco elevados.

"Este avião foi desenhado por palhaços que por sua vez são supervisionados por macacos", comentava um dos colaboradores da Boeing com um colega, em abril de 2017. Um ano depois, em fevereiro, outro colaborador perguntava "Porias a tua família numa nave ‘treinada’ com o simulador do Max?", para depois se adiantar: "Eu não poria". O colega concordou. "A nossa arrogância é o nosso fim", comentaram na mesma conversa.

Os dois incidentes com o 737 Max vitimaram 346 pessoas que iam a bordo.

As mensagens que são agora conhecidas foram partilhadas com a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) e com os legisladores. Um dos democratas que faz parte do comité encarregue de investigar o caso considerou o conteúdo "condenatório".

"Eu quero sublinhar a importância de manter a firmeza no que toca a não existir nenhum tipo de treino de simulação requerido para transitar do antigo modelo do 737 para o Max", escreveu um piloto para um colega. "A Boeing não vai permitir que isso aconteça. Vamos enfrentar qualquer regulador que queira exigir isso", continuou. Outro funcionário mostrou-se confiante de que conseguiriam guiar os reguladores "na direção" desejada.

A companhia aérea reconheceu gravidade no conteúdo: "Estas comunicações não refletem a empresa que somos e que precisamos de ser, e são completamente inaceitáveis".

Os aviões do modelo em causa não voaram nos últimos 10 meses. A crise já custou o cargo ao último CEO, Denis Muilenburg. A produção destes aviões foi suspensa este mês. A empresa disse que iria recomendar treinos de simulação para os pilotos antes que o 737 Max possa voltar a voar.

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