Aviação "Não há orçamento carbónico" para alargar aeroporto de Lisboa

"Não há orçamento carbónico" para alargar aeroporto de Lisboa

A Rede para o Decrescimento, organização crítica do atual conceito de crescimento económico, lembra que o transporte aéreo e marítimo são dois dos maiores produtores de dióxido de carbono.
"Não há orçamento carbónico" para alargar aeroporto de Lisboa
Lusa 17 de agosto de 2019 às 10:46
O coordenador da Rede para o Decrescimento Jorge Leandro Rosa afirmou que "não há orçamento carbónico" para "o aeroporto de Lisboa (...) alargar a disponibilidade aeroportuária", e louvou o exemplo da ativista Greta Thunberg, que não viaja de avião.

"O aeroporto de Lisboa está a alargar, digamos assim, a disponibilidade aeroportuária", mas "não há, de facto, orçamento carbónico para isso", disse à Lusa um dos coordenadores da Rede para o Decrescimento, organização crítica do atual conceito de crescimento económico.


Jorge Leandro Rosa afirmou que a rede não contesta "apenas a localização do Montijo" para o novo aeroporto, cujas preocupações partilha, mas também "qualquer alargamento, neste momento, da atividade aeroportuária em Portugal e em toda a Europa".


O responsável afirma que "é uma contradição absoluta" Portugal avançar para a construção do novo aeroporto no Montijo e para a ampliação do Humberto Delgado, em Lisboa, quando o país "assinou os objetivos de Paris [acordo da cimeira COP21, contra as mudanças climáticas, em 2015]".


"É verdade que Paris não inclui os meios aéreos no acordo, e também não inclui o transporte marítimo, que são dois dos maiores produtores de [dióxido de] carbono, e de uma forma muito má, ecologicamente", mas em termos de, por exemplo, gases CFC (clorofluorocarboneto), "o diagnóstico é hoje muito pior do que (...) desde o tempo da cimeira de Paris", afirmou.


"Portanto, eu diria que não a mais aeroportos em Portugal, e não ao alargamento dos aeroportos existentes", afirmou Jorge Leandro Rosa, apelando ainda para que se siga "o exemplo da [ativista sueca] Greta Thunberg", que "coerentemente" não viaja de avião por causa do elevado nível de emissões carbónicas.

Questionado pela Lusa sobre se um semelhante movimento poderia surgir em Portugal, Leandro Rosa considerou que "faria todo o sentido".


"Eu sei que esse movimento tem alguma expressão nos países nórdicos, cerca de 20% ou mais [pessoas], o que é bastante para estas coisas, declara não viajar em avião ou reduzir substancialmente [as viagens]", lembrou.

No entanto, o responsável disse que o assunto da redução das viagens de avião não deve ser excessivamente moralizado.

"Há uma dimensão ética, não se trata aqui tanto de um moralismo, mas muito mais de uma racionalidade. (...) Não se trata de zero voos, mas trata-se de uma redução substancial, para termos um futuro", afirmou.

Jorge Leandro Rosa considera que os voos lúdicos, "a maioria dos voos na Europa, (...) poderiam muito bem ser substituídos por outro tipo de percurso, por um alargamento do uso do comboio, que é um meio razoavelmente menos carbónico".


"Isto é uma ironia, porque Portugal é um dos países onde o comboio está mais marginalizado há décadas", acrescentou.

"Eu lembro-me sempre de o comboio ser primeiro ultrapassado pela euforia do automóvel - nós temos praticamente duas autoestradas paralelas entre Lisboa e Porto – e agora pela euforia dos meios aéreos", recordou.

A título pessoal, disse não encontrar "qualquer justificação" para a existência de voos domésticos do tipo Lisboa - Porto, com uma distância de 300 quilómetros entre si, considerando a "moda" dos voos de curta distância "um novo-riquismo".

"Se houvesse vontade política para isso, não custaria demasiado termos comboios a 300 km/h entre Lisboa e Porto", concluiu.




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