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TAP inicia despedimento coletivo de 124 trabalhadores

Após acordos temporários de emergência celebrados com os sindicatos e da adesão a medidas voluntárias, a TAP iniciou o despedimento de 124 pessoas, abaixo das 2.000 inicialmente previstas no plano de reestruturação.

A TAP está a operar apenas 7% dos voos que operava há um ano.
Miguel Baltazar
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A TAP anunciou esta quinta-feira, 8 de julho, um processo de despedimento coletivo decorrente da restruturação da companhia aérea, no qual estão abrangidos 124 colaboradores.

 

O número de saídas não voluntárias representa, sublinha a TAP, uma redução de 94% face aos cerca de 2.000 trabalhadores que apontava em fevereiro como excedentários, no âmbito do plano de redimensionamento da transportadora.

 

Em comunicado à CMVM, a empresa detalha que os trabalhadores envolvidos neste despedimento coletivo estão distribuídos pelos principais grupos profissionais da TAP: 35 pilotos (compara com o número inicial de 458); 28 tripulantes de cabina (vs. 747); 38 trabalhadores da área de manutenção e engenharia em Portugal (vs. 450); e 23 na sede da TAP (vs. 300).

 

A saída de trabalhadores da TAP é uma das medidas previstas na reestruturação que foi exigida pela Comissão Europeia à companhia aérea, depois da obtenção de apoios públicos de cerca de 1.200 milhões de euros no ano passado, na sequência da pandemia de covid-19.

 

"Durante este processo de despedimento coletivo, a TAP irá, durante uma fase inicial, continuar a oferecer condições semelhantes às oferecidas nas fases voluntárias para os trabalhadores que optem por reconsiderar a sua decisão anterior de não aderir às medidas voluntárias, bem como manter a possibilidade de candidatura às restantes vagas na Portugália, esperando, com estas iniciativas, poder continuar a reduzir o número de trabalhadores com saídas unilaterais em processo de despedimento coletivo", detalha na mesma nota.

Num comunicado enviado entretanto às redações, a empresa sublinha que a redução do número de trabalhadores identificados para despedimento coletivo é o resultado da celebração de acordos temporários de emergência com todos os sindicatos, que permitiu assegurar uma redução da massa salarial até 2024. Mas também do programa de medidas voluntárias que abriu, abrangendo rescisões por mútuo acordo "com compensações financeiras acima do legalmente exigido", bem como candidaturas a vagas disponíveis na Portugália, entre outras. 

 

Esforços extraordinários reduziram significativamente o objetivo inicial de redução de efetivos no plano de reestruturação. Christine Ourmières-Widener, presidente executiva da TAP

 

Citada nessa nota de imprensa, Christine Ourmières-Widener, a nova presidente executiva da TAP, afirma que "a principal prioridade sempre foi promover e encorajar medidas voluntárias e consensuais e, no caso das saídas, com compensações mais elevadas do que as previstas na lei". 

 

"Concentrámo-nos em gerir o processo com dignidade e respeito pelas pessoas, com todos os casos avaliados individualmente. Globalmente, estes esforços extraordinários reduziram significativamente o objetivo inicial de redução de efetivos no plano de reestruturação", acrescenta.
 

A transportadora lembra ainda que o plano de reestruturação em curso visa ajustar a capacidade e estrutura de custos da companhia à realidade operacional atual e às projeções para os próximos anos. "Após 15 meses decorridos desde o início da pandemia, a indústria da aviação está a voar cerca de 50% em comparação com os níveis de 2019, o que forçou as várias companhias aéreas a tomarem fortes medidas de reestruturação a nível mundial, e a TAP não é exceção", refere.

 

-50%TIPO
A indústria da aviação ainda está a voar cerca de 50% abaixo dos níveis de 2019, ano e meio depois do início da pandemia.



E acrescenta, por outro lado, que "o atual quadro macroeconómico e as inerentes projeções apontam para uma recuperação particularmente lenta da procura, não se prevendo que os níveis de 2019 regressem antes de 2024/25, estimativa que ainda está dependente da evolução futura da pandemia e da eficácia da vacinação".

 

"Lamentamos todos os cortes de postos de trabalho causados pela pandemia, na indústria aérea e noutros setores, contudo temos de assumir um compromisso firme com o plano de reestruturação. A sobrevivência e recuperação sustentável da TAP dependem da implementação efetiva do plano", conclui Christine Ourmières-Widener.


Velho acionista, nova administração


A TAP voltou no ano passado a ser controlada pelo Estado, que passou a ter 72,5% do capital, e poderá, na sequência da conversão de parte ou da totalidade do auxílio entregue em 2020 de 1.200 mil milhões de euros, passar a ter mais de 90% da "holding" da transportadora aérea de bandeira portuguesa, ficando Humberto Pedrosa e os trabalhadores com participações residuais.

 

A 24 de junho, os acionistas da TAP aprovaram em assembleia geral os novos membros dos órgãos sociais para o quadriénio 2021-2024, entre os quais o conselho de administração que contará com Manuel Beja como "chairman" e Christine Ourmières-Widener como CEO.

 

No dia seguinte, através de uma mensagem em vídeo enviada aos trabalhadores, a nova presidente executiva assinalou que a implementação do plano de reestruturação é a principal prioridade, garantindo-lhes que sempre comunicará "de forma aberta a transparente" e mostrando-se disponível para receber os seus contributos.
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