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Governo quer alta velocidade Lisboa-Porto com implementação "faseada"

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, confirmou que a proposta de Costa Silva para a construção de uma ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Porto merece acolhimento da parte do Governo, Contudo, Costa Silva defendeu esta semana a construção da ligação de uma só vez e o ministro diz que constrangimentos financeiros implicam que se estude como fazê-la "de forma faseada".

#35 - Pedro Nuno Santos
David Santiago dsantiago@negocios.pt 17 de Setembro de 2020 às 15:01
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O Governo deverá incluir a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Porto no respetivo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) que terá de enviar para Bruxelas até 15 de outubro, uma ideia que consta da Visão Estratégica para o Plano de Recuperação 2020/2030 traçada pelo consultor independente António Costa Silva.  

Na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros realizado esta quinta-feira, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, disse que este é "um dos investimentos públicos que o país deverá estrategicamente fazer [e que tem] mais impacto na forma como o território se relaciona", em particular na relação entre as áreas metropolitanas das duas maiores cidades do país. 

Para Pedro Nuno este projeto é mesmo um "game changer" para o país. "Já perdemos muitos anos para concretizar este desígnio", atirou. 

Na Visão Estratégica apresentada em julho, António Costa Silva defendeu a criação de uma ligação de alta velocidade Lisboa-Porto, a qual deveria ser feita em duas fases, a primeira consistindo no troço Porto-Soure. No entanto, esta terça-feira, durante a apresentação dos contributos avançados durante a discussão pública da sua visão para a próxima década, o ainda CEO da Partex e docente no Instituto Superior Técnico disse que após a realização de uma "análise custo-benefício" concluíra que afinal essa ligação Lisboa-Porto deve ser concretizada de uma só vez, frisando porém que essa é uma decisão que cabe ao Governo tomar.  

Questionado sobre esta mudança no plano proposto por Costa Silva, o ministro das Infraestruturas lembrou que agora será preciso "compatibilizar a visão estratégica com a capacidade financeira do país e dos programas [comunitários] que vamos ter ao nosso dispor", deixando subentendido que, para o Governo e tendo em conta os constrangimentos financeiros do país, a opção do Executivo deverá recair num projeto a executar de forma faseada.

"Deveremos estudar a forma de o fazer de forma faseada", concluiu Pedro Nuno Santos. 

Em declarações prestadas no Parlamento, em abril, o governante socialista adiantou que a ligação de alta velocidade Lisboa-Porto era "estrutural" para o país e que o projeto estaria integrado no Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, argumentando que "com comboio rápido entre Lisboa e Porto passamos a ter outro país".

A Visão Estratégica de Costa Silva servirá de base à transformação do país que Portugal poderá financiar com os 57,9 mil milhões de euros que deverá receber de fundos comunitários nos próximos 10 anos. Esta verba consiste nos fundos europeus do PT 2020 ainda em vigor e que não foram usados (12,8 mil milhões de euros), pelo Plano de Recuperação da UE (Próxima Geração UE - 15,3 mil milhões a fundo perdido, a que poderão somar-se 10,8 mil milhões a título de empréstimos) e ainda pelo próximo orçamento de longo prazo da UE (QFP, 2021-27 - 29,8 mil milhões de euros). Acrescem ainda os recursos que poderão ser alocados a partir dos próximos 10 orçamentos do Estado. 


(notícia atualizada)
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