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Patrões do setor: "Há uma fadiga fiscal" no turismo

Francisco Calheiros, presidente da confederação patronal do setor, defende que "o Governo deve retribuir ao turismo aquilo que ele tem dado ao país".

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal D.R.
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 16 de Novembro de 2019 às 19:46
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O Governo deve "retribuir ao turismo" aquilo que o setor "tem dado ao país". E isso passa pela redução da carga fiscal. O pedido foi feito, mais uma vez, por Francisco Calheiros, presidente da Confederação de Turismo de Portugal (CTP), que aproveitou o início de uma nova legislatura para entregar ao Governo um documento com várias reivindicações do setor. E segue-se a uma ideia que já foi reconhecida pela própria secretária de Estado do Turismo: que é necessário um "sistema fiscal mais justo" para potenciar o investimento.

O responsável falava, este sábado, 16 de novembro, no encerramento do congresso anual da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e de Turismo (APAVT), que decorreu na Madeira. Num balanço do desempenho do setor durante este ano, Francisco Calheiros salientou que este foi um "bom" ano e desvalorizou o "fim de ciclo" vivido pelo turismo, mas deixou também alguns alertas.

"A Madeira foi a única região do país a registar quebras em 2019. Não é fácil: com várias falências de companhias aéreas e, como se não chegasse, com a falência da Thomas Cook, que veio fazer a tempestade perfeita", comentou.

Ao mesmo tempo, lembrou, os principais mercados estão em queda, ainda que tenham sido compensados por outros. "Em 2018, o nosso principal cliente, os ingleses, baixaram 7,5%. Em 2019, com a pretensa crise que vai haver na Alemanha, temos menos 5% de alemães. Por acaso, com à resiliência dos empresários que temos, o que aconteceu é que, mesmo com a quebra da Madeira, o país cresceu e conseguimos substituir estes mercados por turistas que interessam mais, porque têm uma estadia maior e gastam mais: canadianos, americanos, brasileiros, chineses e coreanos".

Seja como for, frisa, o setor continua em crescimento. "De facto, acabámos um ciclo. Estamos em fim de ciclo, mas é o fim de um ciclo de grande crescimento. Não entrámos num ciclo de quebra, estamos em crescimento, o que é positivo depois de estarmos bastantes anos a crescer a dois dígitos. É perfeitamente normal estarmos agora a fazer um ciclo em que crescemos a um dígito".

Foi neste contexto que a CTP entregou, ao Governo e aos partidos com assento parlamentar, um documento "muito extenso" com propostas de medidas. Entre elas, a redução da carga fiscal.

"Não é mais possível continuarmos com este índice de fiscalidade. Há uma fadiga fiscal. Não posso ter um evento em Vigo a custar menos 23% do que um em Elvas. Não faz qualquer espécie de sentido", exemplificou.

O presidente da CTP concluiu afirmando que, "sem o turismo forte e competitivo, não vamos ter crescimento económico, redução do desemprego e criação de riqueza".

"O Governo deve retribuir ao turismo aquilo que ele tem dado ao país. Primeiro, porque o turismo merece. Segundo porque o país agradece", rematou.

* A jornalista viajou à Madeira a convite da APAVT.
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