Euronext espera entradas em bolsa "sem precedentes" de empresas do setor da defesa
O CEO da Euronext, Stephane Boujnah, antecipa um número "sem precedentes" de empresas do setor da aeroespacial e de defesa a caminho da bolsa este ano. Em entrevista à Bloomberg, o responsável da gestora da bolsa de Lisboa diz que o grupo Euronext se pretende assumir como um "hub" para as empresas europeias e que se tem focado ultimamente no que considera ser o "novo ESG": energia, segurança e geoestratégia.
Sem querer confirmar quantas empresas deste setor estão em fila de espera para realizarem as suas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês), Boujnah recordou o IPO bem sucedido do Czechoslovak Group (CSG) que protagonizou o maior IPO de sempre do setor no mundo. O grupo com sede em Praga escolheu Amesterdão, uma bolsa gerida pela Euronext, para abrir o capital e conseguiu captar 3,3 mil milhões de euros. Entre as empresas que já revelaram estar a preparar uma entrada em bolsa está a KNDS, uma fabricante de equipamento militar franco-alemã, e a sueca Kongsberg que pretende realizar um "spin-off" e um IPO da sua unidade de negócio mariítima.
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Esta é também uma oportunidade para a operadora pan-europeia de aproveitar o maior apetite de investidores de todo o mundo pelas cotadas do continente. Boujnah descreveu uma tendência em que a Europa se tem tornado mais atrativa, como diversificadora da exposição aos Estados Unidos (EUA), por parte de investidores do Golfo Pérsico e da Ásia. O CEO da Euronext detalhou que o mercado está a olhar para os EUA como um "ambiente assustador", com "demasiada volatilidade na tomada de decisão" e "demasiada incerteza" em termos de tarifas, inflação e "justiça das relações empresariais".
O CEO da Euronext diz mesmo que "o resto do mundo está a fazer o luto dos EUA porque já não é reconhecível".
O grupo europeu concluiu em meados de novembro uma oferta pública de aquisição (OPA) da bolsa da Grécia, em que conseguiu o capital para avançar com uma aquisição. A Euronext, que opera atualmente as bolsas portuguesa, francesa, neerlandesa, italiana, belga, irlandesa e norueguesa espera que a compra gere sinergias de caixa anuais de 12 milhões de euros até ao final de 2028, embora os custos de implementação associados sejam estimados em 25 milhões. A previsão é de que a operação fique concluída no final deste ano. Stephane Boujnah antecipa mais consolidação, embora sem detalhar se está a olhar para outras bolsas do velho continente.
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