Wall Street aplaude recuo de Trump no Médio Oriente. S&P 500 afasta-se de território de correção
Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta segunda-feira em alta, com o "benchmark" a registar ganhos superiores a 1%, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter decidido suspender os ataques a infraestruturas energéticas iranianas por cinco dias. No fim de semana, o líder da maior economia do mundo tinha ameaçado o Irão com novas ofensivas caso o estreito de Ormuz continuasse bloqueado, mas a escalada do conflito levou-o a dar um passo atrás.
Apesar de a incerteza continuar a dominar os mercados, o S&P 500 conseguiu acelerar 1,15% para 6.581,00 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite ganhou 1,38% para 21.946,76 pontos e o industrial Dow Jones saltou 1,38% para 46.208,47 pontos. Os três índices chegaram a valorizar mais de 2% esta tarde, mas a recusa do Irão em reconhecer potenciais negociações com os EUA acabou por limitar os ganhos.
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Na sexta-feira, o S&P 500 fechou bastante próximo do território de correção, tendo perdido quase 10% do seu valor desde os máximos mais recentes. Os ataques do Irão a uma série de países do Golfo Pérsico durante a madrugada levaram o "benchmark" a encaminhar-se para este território, com os investidores a recearem uma nova escalada do conflito que levasse os preços do petróleo a novos máximos desde o arranque da guerra.
"A revelação do Presidente é bem-vinda e esperemos que se esteja a trabalhar seriamente para encontrar soluções", explica Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial, à Bloomberg. No entanto, "os investidores devem agir com cautela e não reagir impulsivamente. O cenário pode mudar e, muito provavelmente, irá mudar", adverte, apontando para as grandes oscilações no mercado acionista desde o estalar do conflito no Médio Oriente.
Já depois de ter anunciado a suspensão dos ataques, Trump garantiu que o estreito de Ormuz - por onde passa 20% do petróleo e gás natural consumido a nível global - vai ser gerido em conjunto entre os EUA e o Irão, embora não tenha confirmado se o assunto foi abordado nas supostas negociações com o Irão. Confrontado com as notícias que davam conta que o Irão não tinha iniciado contacto com a sua administração, o Presidente dos EUA reiterou que está a negociar com o Irão “há muito tempo” e que acredita que um acordo está próximo. No entanto, não tornou claro quem está envolvido nas negociações.
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Já depois do fecho da sessão na sexta-feira, os analistas do JPMorgan Chase decidiram cortar o "target" do S&P 500 de 7.500 para 7.200 pontos, citando um choque de oferta decorrente da interrupção do fluxo de petróleo através do estreito de Ormuz, que ameaça comprometer os lucros das empresas e o crescimento económico. O potencial de valorização fica assim "mais limitado" pela guerra no Médio Oriente, esclarecem.
Entre as principais movimentações do mercado, a Synopsys avançou 2,89%, depois de o investidor ativista Elliott Investment Management ter avançado com um investimento multimilionário com o objetivo de alcançar mudanças estratégicas na empresa que se assume como líder em vendas de software de design eletrónico. Já a Simon Property Group perdeu 1,64%, após o seu CEO ter morrido e ter sido substituído pelo filho Eli Simon.
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