Wall Street regressa às quedas com guerra comercial a pesar

Depois de uma sessão de excepção, as bolsas norte-americanas voltam a ser marcadas pelo receio da guerra comercial. Wall Street abriu em queda.
Reuters
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Tiago Varzim 11 de setembro de 2018 às 14:36

Na Europa as bolsas estão em queda e pelo mesmo caminho segue Wall Street neste início de sessão. Depois de uma sessão de recuperação, os índices norte-americanos voltam a desvalorizar com a crescente preocupação à volta da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O Nasdaq está a cair 0,34% para os 7.898,563 pontos, o Dow Jones perde 0,31% para os 25.780,42 pontos e o S&P 500 desliza 0,28% para os 2.868,81 pontos.
Em causa estão as declarações da semana passada de Donald Trump. O presidente norte-americano admitiu avançar "muito em breve" com as tarifas sobre bens chineses avaliados em 200 mil milhões de dólares. Mas não deverá ficar por aí: Trump ameaçou impor taxas sobre mais 267 mil milhões de dólares, cobrindo assim todos os bens que a China exporta para os EUA.
Em resposta, a China anunciou que vai requisitar à Organização Mundial do Comércio a permissão para retaliar contra os EUA. A notícia ofuscou a tendência positiva das negociações com a União Europeia que retomaram ontem em Bruxelas. Em Novembro deverá haver acordo entre as duas partes para baixar as tarifas. 
Quanto às cotadas, as fabricantes de chips (Intel, Nvidia e Micron) - que têm na China uma fatia grande das suas receitas - estão a cair. Na sessão de ontem as FAANG (Facebook, Amazon, Netflix e Google [detida pela Alphabet]) tinham revelado alguma debilidade perante a escalada do conflito comercial. A Apple, que apresenta novos smartphones amanhã, está a desvalorizar ligeiramente (-0,38%). Já a Tesla, que viu a sua recomendação do Nomura baixar de "comprar" para "neutral", está a descer mais de 2%.
"Os futuros apontam para um arranque [de Wall Street] fraco uma vez que os assuntos geopolíticos e comerciais continuam a pesar nos mercados", antecipava o economista-chefe da Spartan Capital Securities, Peter Cardillo, em declarações à Reuters, referindo que os investidores vão optar pela "cautela". A pesar está também a "tradição" de Setembro ser um mês historicamente negativo nas mercados internacionais. Segundo a MarketWatch, desde 1896 que há uma queda média mensal de 1%. 
Isto ocorre numa altura em que a crise nos mercados emergentes continua. Esta semana os bancos centrais da Argentina, da Turquia e da Rússia vão ter reuniões de política monetária, o que cria expectativa à volta das decisões que possam ter impacto nas respectivas divisas. Há também as reuniões do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra na quinta-feira. E no final do mês é a vez da Fed decidir se aumenta os juros pela terceira vez este ano.

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